FHC lamenta perda de colaboradores
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sexta-feira, 25 de dezembro de 1998
Cláudia Trevisan Agência Folha 
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem em São Paulo que perdeu muitos colaboradores neste ano, por fatalidade ou por injustiça e fez um apelo para que se acredite mais nas pessoas. As fatalidades foram as mortes do ministro Sérgio Motta (Comunicações) e do deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), ambas ocorridas em abril.
O que o presidente considera injustiças foi a saída do ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros e do presidente do BNDES (Bando Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) André Lara Resende do governo, depois da divulgação de conversas telefônicas em que os dois discutiam a privatização do Sistema Telebrás.
FHC também incluiu entre os supostos injustiçados o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge, suspeito de ter sido o responsável pelo vazamento das conversas grampeadas entre Lara Resende e Mendonça de Barros. Na opinião do presidente, todos foram vítimas de muita intriga e de precipitação de julgamento. O Brasil não pode perder seus melhores filhos por visões pequenininhas. Nesse momento de Natal, de paz, temos de fazer uma reflexão e acreditar mais nas pessoas, disse FHC.
O presidente criticou o movimento da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e de centrais sindicais em defesa do desenvolvimento econômico e da queda da taxa de juros. Às vezes, querendo ajudar, atrapalha. Nós temos de criar condições de confiança. Quando se criam condições de instabilidade, ao invés de baixar os juros, os juros aumentam, afirmou.
FHC disse que dará ênfase à produção no Brasil. O principal indicador dessa disposição seria a criação do Ministério do Desenvolvimento, entregue a Celso Lafer. Segundo o presidente, o ministro será encarregado da escolha dos integrantes do conselho empresarial, que funcionará junto à Presidência da República.
Na capital paulista, o presidente Fernando Henrique visitou o governador Mário Covas, que se recupera da cirurgia para remoção de um tumor na bexiga, na noite de anteontem. Ontem pela manhã, FHC voltou a Brasília, onde passaria o Natal com a família.


