Brasília
Os laços de amizade entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e seu ex-ministro da Agricultura senador Andrade Vieira estão sendo reatados. Fernando Henrique jantou ontem com a bancada do PTB na casa de Andrade Vieira. Apesar do clima ameno do encontro, Andrade Vieira não esconde sua mágoa com a equipe econômica, responsável pela intervenção e venda do controle do seu banco, o Bamerindus - negociado posteriormente com o banco HSBC.
‘‘Eles me tapearam, mentiram para mim’’, afirmou à tarde, citando nominalmente o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyolla. ‘‘Foram até a minha casa, me disseram uma coisa e depois fizeram outra’’, argumentou. O senador isentou, no entanto, o presidente da responsabilidade pelo seu problema.
Para o senador, o grande problema do programa de socorro a bancos do governo foi a sua desvirtuação. ‘‘Acho que o Proer era necessário, mas foi desvirtuado pelo Banco Central’’.‘‘Usar o Proer para favorecer Unibanco, Excel e HSBC foi errado’’disse.
Na opinião de José Eduardo, o programa não ajudou aos bancos em dificuldades. ‘‘Se pode ajudar o Unibanco, por que não pode ajudar o Bamerindus?’, indagou. Ele disse que não pretendia, no entanto, tratar deste assunto com o presidente durante o jantar.
‘‘Eu não teria constragimento, se não tivesse tido o problema com o Bamerindus’’, explicou. ‘‘Antes disso, cheguei a comentar com o presidente sobre o problema’’, lembrou. Mas José Eduardo não estava disposto a poupar o presidente de outras críticas, à lentidão da reforma agrária e às medidas do pacote fiscal. ‘‘Este é o papel do aliado: apoiamos, mas não abrimos mão de expor nossos pontos de vista.’

mockup