FHC investiu mais no segundo mandato
Comparando os períodos ''cheios' entre cada eleição, entretanto, Fernando Henrique tem uma leve vantagem sobre os demais presidentes.
Curiosamente, a performance de investimentos da administração tucana foi melhor no segundo mandato (R$ 17,5 bilhões) que no primeiro (R$ 16,1 bilhões), quando não gozava mais da popularidade do Plano Real e não enfrentava tantas restrições orçamentárias. O programa de ajuste fiscal baseado em metas de superávit primário (poupança para pagar juros), vale lembrar, só teve início em 1999, quando FHC inaugurava um novo mandato.
Nessa fase, o ex-presidente da República beneficiou-se do aumento da carga tributária para obter ''superávit'' nas contas públicas e gastar mais em obras de infra-estrutura. O ápice dessa nova onda de investimentos ocorreu em 2001, com R$ 23,6 bilhões aplicados em projetos das mais variadas áreas, como construção de estradas, aeroportos e portos.
A trajetória ascendente da arrecadação foi mantida na gestão Lula, mas o choque fiscal foi muito maior, como também o crescimento das despesas da Previdência e assistência social. Resultado: sobraram poucos recursos para obras, a tradicional vitrine de todo governo.
''Existe um lado bom e outro ruim nesse episódio. O bom é que o presidente dá sinal de que não está usando a caneta para fazer populismo eleitoral. O ruim é que a falta de investimentos enfraquece o crescimento'', tem dito um importante ministro do Palácio do Planalto.
Para os oposicionistas, entretanto, a estratégia de Lula não deixa de ter conotação eleitoral: ele priorizou nos dois primeiros anos de mandato a organização do Bolsa Família, que lhe propicia ampla rede de apoio nos rincões mais pobres do País; agora trabalha por realizações de maior envergadura e, por isso, fica tão perturbado com a possibilidade de o orçamento de 2006 não ser votado até dia 31 de dezembro.





