O presidente Fernando Henrique Cardoso insinuou ontem, em discurso na cerimônia de liberação de verbas para duplicação da Rodovia Fernão Dias, em Minas Gerais, que o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, ataca o governo por ser ‘‘preguiçoso’’ para aprender. Na véspera, último dia da Caravana da Cidadania pelo Sul do Estado, Lula acusara o presidente da República de não ter um programa de governo, mas uma proposta feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Fernando Henrique também criticou, veladamente, a postura oposicionista do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB) – o presidente condenou o ‘‘ressentimento’’ e disse que ‘‘mineiro não é ressentido’’ . O presidente citou realizações da administração federal e, sem falar em nomes, atacou os opositores. ‘‘Já vi gente que aspira à Presidência da República, que diz que o Brasil não tem plano de desenvolvimento’’, afirmou.
‘‘Transformam a preguiça deles em culpa nacional: eles não vão lá para ver nada, então, dizem que nada acontece. Para construir um país, é preciso tempo, modéstia, paciência, capacidade de trabalho, olhar o que está acontecendo e não fazer juízo precipitado. Pode criticar, mas tem de conhecer’’, disse o presidente’’. ‘‘O desconhecimento, no mundo de hoje, é fatal. Porque o futuro é do conhecimento. Quem não for capaz de aprender – não por não ser inteligente, mas por ser preguiçoso, pois quem quer aprender, aprende – não pode governar’’, completou o presidente.
Entre os dias 3 e 8, a Caravana da Cidadania, promovida pelo PT, percorreu cidades perto do lago de Furnas para denunciar a crise de energia e conhecer as dificuldades sociais causadas pela baixa das águas. Na viagem, Lula acusou Fernando Henrique de estar destruindo vários setores do País, sem construir nada em seu lugar. Apesar da sugestão, feita pelo petista, para que moradores e políticos da região Sul de Minas Gerais promovessem uma manifestação pedindo providências contras as consequências sociais e econômicas da diminuição do nível da Represa de Furnas, nada aconteceu.
Para uma platéia de políticos e convidados reunidos na fábrica Mangels, em Três Corações, onde aconteceu a cerimônia, o presidente afirmou que o governante que não dá atenção aos dirigentes locais é mau. Veladamente, condenou a postura de Itamar, que se declara discriminado pelo governo federal. ‘‘Nada pior do que o ressentimento’’, disse. Mais adiante, voltou ao assunto: ‘‘O mineiro é generoso, o mineiro não é ressentido, o mineiro sempre foi uma pessoa de coração aberto.’’

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