FHC inicia reaproximação de ACM
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sexta-feira, 06 de abril de 2001
Tânia Monteiro Agência Estado 
O encontro entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador da Bahia, César Borges (PFL), praticamente enterrou a possibilidade de os outros 15 deputados aliados do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) assinarem a Comissão Parlamentar de Inquérito que investigaria denúncias de corrupção no governo federal. César Borges saiu do Planalto com a garantia de que não haverá retaliações orçamentárias, que o Estado poderá receber R$ 300 milhões até o final do mandato presidencial para obras federais na Bahia e que não haverá novas demissões de baianos aliados de ACM.
É claro que com a visita melhoram as relações, reconheceu o governador baiano. César Borges contou ainda que o presidente fez questão de comentar a atitude de ACM, que sinalizou com a possibilidade de retirar sua assinatura da CPI. Ele considerou um gesto corretíssimo do senador. Borges não acha impossível a reaproximação entre o presidente e ACM, mas assegurou que não está intermediando a reconciliação. Em política, tudo é possível e quem sabe em um cenário futuro, nos próximos dias ou meses. Na conversa, Fernando Henrique reiterou que uma CPI neste momento é desnecessária e descabida, acrescentando que esse denuncismo só prejudica o País. O governador, por sua vez, acha que são cada vez mais remotas as chances da CPI da mesma forma que considera que diminuíram muito as chances de os carlistas assinarem o inquérito. No Senado, a oposição já dispõe de 25 das 27 assinaturas. Na Câmara, possui 144 das 171 necessárias, sendo que dos 20 deputados carlistas, apenas cinco assinaram.
Eu nunca pretendi assinar, declarou o deputado baiano José Carlos Aleluia (PFL), depois de regressar à Bahia ao lado de Borges. Trabalho pela conciliação. Segundo ele, não há uma decisão definitiva se os carlistas assinam ou não assinam. A única certeza é de que o grupo vai se manter unido, avisou ele, que acredita que ACM já deu um sinal de que os seus seguidores não devem assinar.
Na opinião de César Borges, quem mais contribuiu para que a assinatura dos carlistas não conste da CPI foi o líder do PT, Walter Pinheiro (BA). Se o presidente quisesse fazer tão bem esse movimento contra a CPI não teria conseguido, ironizou Borges, ao se referir a atitude dos opositores de ACM que foram ao Planalto entregar um carrinho de denúncias contra o senador na nova Corregedoria. O governador rebateu os ataques contra a ACM acusando os deputados, Geddel Vieira Lima, líder do PMDB, e Jutahy Júnior, líder do PSDB, ambos baianos, de estarem envolvidos em diversas irregularidades no Estado.
O presidente falou da amizade que tem por Antonio Carlos, do prefácio que fez em homenagem a Luís Eduardo Magalhães, e eu fiz questão de mostrar que estava conduzindo a questão em respeito ao povo baiano porque acho que não tem como misturar as coisas, disse Borges. A atitude do presidente, segundo assessores palacianos, é um sinal de que ele não tem tantas restrições ao movimento de reaproximação. Fernando Henrique prometeu estar presente em duas inaugurações no Estado: do aeroporto Luís Eduardo, em data a ser confirmada, e na inauguração da fábrica da Ford, em outubro.
Apesar disso, Borges não considera superado o episódio de demissão dos ministros da Previdência e Minas e Energia e do presidente da Eletrobrás. É claro que a Bahia se ressente, queixou-se. Eu disse ao presidente que a Bahia se sente prejudicada, que é a sexta economia do País, que não quer mais ser retaliada e que queríamos que o Estado seja prestigiado em termos de recursos, afirmou, garantindo que não estava pedindo mais cargos, já que o grupo possui apenas pequenos cargos, nada de importante, cargos de terceiro e quarto escalões.


