FHC inaugura obra que não está pronta
Eleita um dos símbolos do programa do governo Fernando Henrique Cardoso de terminar obras inacabadas no País, a barragem de Jucazinho, em Surubim (PE), foi inaugurada ontem pelo presidente da República com apenas 10% de sua capacidade. Numa previsão otimista, apenas em dois anos e meio os municípios do castigado agreste do Estado poderão receber a água. Apesar disso, Fernando Henrique decretou, ao acionar o botão da represa: O Nordeste não é problema, é solução.
A barragem de Jucazinho, no Rio Capibaribe, é um projeto da década de 60, que só saiu do papel em 1991. As obras ficaram interrompidas durante cinco anos. No total, a construção da represa custou R$ 40,9 milhões e o objetivo era beneficiar 14 municípios da região. Os seis municípios da margem esquerda do rio, no entanto, só poderão receber a água se for construída uma adutora, a um custo de R$ 65 milhões - obra que o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) promete realizar em 30 meses.
O governo de Pernambuco, segundo o secretário estadual de Infra-estrutura, João Bosco, está pleiteando do DNOCS um repasse de verbas para tentar fazer a adutora em um ano. Já a margem direita, onde localiza-se a cidade de Caruaru, uma das mais importantes da região, não vai se beneficiar da barragem tão cedo. O governo estadual pretende inaugurar em setembro uma outra represa, a do Prata, para atender aos municípios da área. Os planos para fazer a adutora ligando Caruaru à barragem de Jucazinho são para o ano 2010, disse Bosco.
Com capacidade para 327 milhões de metros cúbicos de água, Jucazinho terá de passar por dois bons invernos, segundo Bosco, para atingir o máximo. No sentido prático, a obra inaugurada pelo presidente, nesse momento, serve apenas para os que, num raio de 60 quilômetros dali, consigam puxar água por bombas ou mesmo pegá-la de caminhão.
Mas, no sentido político, Jucazinho foi um palanque e tanto. Na presença de quatro mil habitantes da região - que saíram correndo para se jogar na pequena quantidade de água jorrada do cano acionado pelo presidente -, Fernando Henrique disse que a obra só foi possível devido ao espírito de continuidade. E afirmou que seu governo não tinha olhos apenas para o Sudeste. A riqueza nacional, em meu governo, está se dispersando por todo o Brasil, argumentou.
Ele citou trechos do poeta João Cabral de Mello Neto e manteve ao seu lado os ministros da terra: o do Meio Ambiente, Gustavo Krause e o da Reforma Agrária, Raul Jungmann, além do vice-presidente Marco Maciel, também de Pernambuco. O palanque tinha ainda o trio que disputa as eleições para o governo: o atual governador, Miguel Arraes (PSB), o ex-prefeito Jarbas Vasconcelos (PMDB) e o candidato tucano, o senador Carlos Wilson.
Em seu discurso, ficou explícito o apoio ao PSDB. Ele contou, num agrado também ao ex-presidente Itamar Franco, que a obra de Jucazinho havia sido iniciada por seu antecessor. E era um filho de Pernambuco, o senador Carlos Wilson, quem dirigia o departamento de águas naquela época, lembrou Fernando Henrique aos eleitores do agreste pernambucano.





