Tânia Monteiro e Isabel Braga
Agência Estado - De Brasília
Cansado de administrar crises e de sentir-se acuado por pressões de aliados, o presidente Fernando Henrique resolveu, efetivamente, inaugurar um novo estilo de governar. Aproveitando a crise deflagrada com o discurso de Clóvis Carvalho, contra a política econômica de seu governo, FHC tentou dar uma demonstração clara de que não admitirá dúvidas em relação à sua autoridade ao demitir o amigo e antigo colaborador, do Ministério do Desenvolvimento.
Em menos de 72 horas, FHC afastou Clóvis Carvalho, seu fiel escudeiro desde os tempos do Ministério da Fazenda, e nomeou, em curto prazo, Alcides Tápias, para sucedê-lo. Com isso, ele deu dois claros recados internos: de que não admitirá divergências públicas e que não hesitará em agir com rapidez e firmeza, quando entender que isso é necessário.
Embora o recado tivesse como alvo ministros e aliados políticos, a postura de Fernando Henrique serviu também para tentar apagar, junto à população, a imagem de um presidente que não decide.
O presidente também foi duro no discurso que fez, a portas fechadas, na segunda etapa da reunião ministerial da última quarta-feira, quando cobrou unidade dos seus auxiliares e avisou que a política econômica não é do ministro Pedro Malan, mas sua.
Com isso, tentou deixar claro que quem manda no governo é ele e que quem não estiver de acordo com as regras do jogo, deve abandonar a partida, seja lá quem for. Acabou a época em que ministros amigos podiam se digladiar em público, sem que FHC interferisse, como era frequente, por exemplo, com o falecido ministro das Comunicações, Sérgio Motta.
A mudança de estilo do presidente já apresentou resultado nas pesquisas de popularidade, que começam a dar sinais de reação. Mas assessores de Fernando Henrique não se animam com essa tendência e advertem que essa reação é muito lenta e que nenhum resultado efetivo surgirá antes de meados do ano que vem.
Lembram, no entanto, que as políticas adotadas, por exemplo, no ano passado, demoram a surtir efeito, mas começam a apresentar os primeiros resultados. Para o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), não se trata de um novo estilo de governo, mas de mudança de atitude frente a circunstâncias adversas. ‘‘Não se pode confundir educação com tibieza’’, afirmou Arruda, ao observar que FHC é ‘‘educado, ouve, pondera e considera, mas sabe decidir com energia e rigor, quando é preciso’’.
Um outro auxiliar do presidente lembrou que Fernando Henrique, antes, preferia ouvir todas as correntes possíveis e imaginárias para amadurecer a idéia sobre um determinado tema, antes de tomar uma decisão, o que levava tempo. A partir de agora, comentou esse assessor, ‘‘ele vai pegar a bola no ar e chutar’’.
Esta mudança de postura do presidente pôde ser observada também depois dele ter promovido uma dança de gabinetes no Planalto. A chegada de Aloysio Nunes Ferreira, na Secretaria-Geral da Presidência, do ex-governador Moreira Franco, como assessor especial e da substituição de Carvalho por Pedro Parente, na Casa Civil, deram mais tempo para FHC, que já comemorou a alteração. ‘‘Agora eu até estou com mais tempo’’, disse ele aos auxiliares.Episódio da demissão de Clóvis Carvalho deu ao presidente oportunidade de reafirmar autoridade e contornar crise na equipe
Arquivo FolhaPONTO FINALFernando Henrique: no discurso aos ministros, ele declarou basta às brigas, cobrou duramente unidade, desafiou equipe e avisou que a condução da política econômica é sua e não de Malan

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