FHC inaugura ferrovia e ataca oposição
FHC inaugura ferrovia e ataca oposição
Presidente critica os que cobram soluções para o desemprego sem, no entanto, apresentar qualquer proposta
Agência Estado
Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)FerroviaFernando Henrique Cardoso e Olacyr de Moraes na inauguração da Ferronorte: sonho realizadoO presidente Fernando Henrique Cardoso atacou ontem seus opositores, por cobrarem do governo soluções para resolver o problema do desemprego sem apresentar qualquer proposta. Não se cria empregos com palavras, slogans ou gritaria, discursou na inauguração da Ponte Rodoferroviária sobre o Rio Paraná e dos primeiros 110 quilômetros da Ferronorte, em Rubinéia (SP). Temos R$ 14,8 bilhões de investimentos nesta região (a centro-oeste), com 1,7 milhão de empregos. Sem investimento não há emprego, declarou.
Fernando Henrique disse que não aceitará pressões para mudar os rumos de seu governo. Para ele, os brasileiros gostam de quem trabalha. Somos uma nação sem ódio, defendeu. Não gostamos de gente odienta e, sim, de gente que pensa no País. Segundo ele, quem grita por emprego e não faz nada para obter investimentos que criem empregos, faz só demagogia. Ele voltou a defender o pacote de medidas fiscais adotado pelo governo em outubro do ano passado. Disse que muitos países ainda sofrem por não terem enfrentado a crise a tempo. Os outros não conseguiram fazer o que estamos fazendo, argumentou. Não tiveram a coragem de arriscar a impopularidade para salvar o País.
Em discurso de candidato, prometeu fazer um quilômetro por dia de obras até o ano 2000. Garantiu que a geração de investimentos para criar empregos é uma de suas principais preocupações. O que eu faço por este mundo afora é defender o emprego no Brasil, garantiu. Citou a recente viagem a Genebra, na Suíça, para reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC). Quando estou gritando na OMC contra o protecionismo, ou quando estou discutindo com empresários ingleses ou norte-americanos, onde quer que seja, é para proteger o emprego, disse.
A Ponte Rodoferroviária sobre o Rio Paraná, com 2,6 mil metros de extensão, é um dos 42 projetos do Brasil em Ação. Vai ligar Mato Grosso do Sul a São Paulo, proporcionando uma redução no custo dos fretes de R$ 160 milhões por ano. A ponte unirá os trilhos da Ferronorte aos 900 quilômetros da Fepasa. A expectativa da população da região é de que a obra passe a ser rota de integração econômica com o Mercosul, além de incrementar o turismo. Os recursos, de cerca de R$ 600 milhões, foram assegurados pelo governo federal e pelo Estado de São Paulo.
A viabilidade econômica da ponte já surte efeito, com a instalação de um terminal de soja, no município de Inocência (MS), com capacidade de armazenar cinco mil toneladas de grãos. Já o primeiro trecho da Ferronorte, com 110 quilômetros, facilitará o escoamento da produção da região.
A conclusão do primeiro trecho da ferrovia que ligará Mato Grosso do Sul ao Porto de Santos é, para o empresário Olacyr de Moraes, a recompensa de uma fase em que tudo parecia dar errado. A própria Ferronorte, da qual ele diz ser o idealizador, corria o risco de não sair do papel. O grupo Itamarati, que ele presidia, era devedor de 46 bancos. Hoje, resta apenas renegociar a dívida com seis deles. Era um sonho, que em determinado momento se transformou em pesadelo, resumiu o empresário.
Olacyr de Moraes enfrentou muitas vicissitudes pela Ferronorte, disse o presidente Fernando Henrique Cardoso em seu discurso. Olacyr acredita que agora passa a viver numa nova fase, ele que já foi o rei da soja e o rei da noite. Vou sair daqui e dançar em São Paulo, meu inferno astral acabou, disse.





