FHC impõe-se e cobra respeito à lei
O presidente Fernando Henrique Cardoso encerrou ontem a primeira reunião ministerial de seu segundo governo cobrando o cumprimento dos contratos assinados pelos governadores e prefeitos. A autoridade maior nesse País é o presidente da República, que foi eleito e cumpre a lei, disse, acrescentando que não admitirá o descumprimento da lei por quem quer que seja. Todos hão de cumprí-la, custe o que custar, afirmou em recado direto ao governador mineiro, Itamar Franco, que já anunciou a moratória no Estado.
O presidente disse que em uma democracia a ajuda mútua não pode existir quando não há respeito às decisões tomadas. Disse que tratará a oposição com o respeito de sempre e apelou para que haja reciprocidade. Tenho apelado sempre às oposições porque temos que contribuir para um clima de distensão e não de tensão dentro do nosso País, disse.
Deixando de lado o tom conciliatório do discurso de posse, Fernando Henrique afirmou que não desistirá da cobrança da contribuição previdenciária dos servidores públicos inativos. Não sou pessoa de ceder fácil, disse. Que não se enganem e nem confundam o ser cordial com o não ser firme. Insistirei até conseguir que o País perceba que a justiça requer uma ação forte nessa matéria.
O presidente, sem apresentar detalhes da proposta, sinalizou que a nova emenda a ser encaminhada ao Congresso isentará os que ganham menos e os mais idosos. Segundo ele, no Brasil - onde o salário mínimo é de R$ 130,00 - 900 mil servidores aposentados recebem um total de R$ 21 bilhões. Isso equivale à renda média dos países da Europa, comparou. Não é justo, e por não ser justo, é justo que se peça uma contribuição daqueles que estão recebendo este benefício.
Ele reclamou das dificuldades de eliminar privilégios encastelados no País, que beneficiam camadas que não são das mais ricas. Não é fácil porque, quem tem privilégio, disfarça o privilégio falando dos pobres.
Fernando Henrique deu um puxão de orelhas nos ministros e técnicos que vazam informações para a imprensa sobre estudos em andamento no governo, antes de sua decisão final. Depois de vangloriar-se de seu estilo de governo, de explicar detalhadamente ao povo as medidas a serem adotadas, Fernando Henrique pediu aos seus auxiliares que não especulem. Quando falar em nome do governo, (falar) aquilo que o presidente tiver dito que é pra falar. Senão, é melhor calar, porque muitas vezes confunde a população.
Nos 20 minutos finais de sua explanação, o presidente agradeceu a ação do Congresso, disse que falta pouco para terminar as votações do ajuste e mostrou esperança na melhora da economia do País ainda no segundo semestre deste ano. FHC disse que irá se esforçar enormemente para cumprir o programa de campanha Avança Brasil e enfatizou que o desafio do governo em 1999 é fazer o que a população precisa a despeito de termos uma conjuntura que nos leva a uma certa restrição. Fernando Henrique avisou ainda que fará uma outra reunião ministerial para discutir a metas do seu segundo governo.Ed Ferreira/Agência EstadoCartas na mesaO presidente Fernando Henrique Cardoso (ao fundo), na primeira reunião do ano do novo governo com o ministério: endurecimentoAgência Estado





