O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que a geração de empregos será prioridade do seu governo. ‘‘Temos de fazer tudo para que haja uma continuidade da oferta de emprego’’, declarou em entrevista, pouco antes de retornar ao Brasil, encerrando uma visita de cinco dias à Inglaterra.
Fernando Henrique sinalizou que já começam a existir condições para uma queda nas taxas de juros. Ele não citou, no entanto, quando estas reduções poderiam ser iniciadas mas disse que quanto mais depressa isso ocorrer, melhor para o País. O presidente reconheceu que, por causa das taxas de juros, a economia pode sofrer uma desaceleração.
Fernando Henrique anunciou uma de suas bandeiras na campanha pela reeleição: o Proer, programa de reestruturação do sistema financeiro. ‘‘Nós criamos o Proer, que vai ser uma peça de campanha eleitoral se eu for candidato’’, afirmou. Segundo ele, o saneamento financeiro evitou que a crise asiática atingisse o Brasil ainda mais duramente. ‘‘Os japoneses estão fazendo isto agora’’, comparou.
O presidente disse estar pronto para agir contra o desemprego. Segundo ele, se a indústria automobilística desempregar, o governo vai tomar medidas, como os programas de treinamento de mão-de-obra e reavaliação do seguro-desemprego. Ele reconheceu que os próximos três meses poderão ser mais difíceis porque normalmente é uma época em que a economia se desacelera.
Fernando Henrique defendeu a necessidade de um controle maior sobre os fundos de investimentos, para os quais não existem regras. Na opinião do presidente, os clientes dos fundos precisam saber qual é o grau de risco que correm ao aplicar o dinheiro. ‘‘Se os fundos gostam de ter um risco alto, têm que aumentar os recursos depositados na conta do BC ou seu capital para garantir estas operações’’, recomendou ele, explicando que o aplicador precisa saber que está investindo com alto risco.
Convite O presidente Fernando Henrique Cardoso convidou a rainha Elizabeth II e seu marido, o príncipe Philip, para uma visita de Estado ao Brasil, em carta enviada pouco antes do embarque de volta ao País. ‘‘Em nome do povo brasileiro, gostaria de manifestar o sincero desejo de que Vossa Majestade e Sua Alteza Real o Príncipe Philip nos dêem a honra de uma nova visita de Estado ao Brasil’’, diz a carta.
Antes do envio da carta, quando o presidente se despediu de seus anfitriões no Palácio de Buckingham, a própria Rainha demonstrou disposição para um novo encontro. ‘‘Eu espero vê-la de novo’’, disse, ao se despedir da primeira-dama Ruth Cardoso, na porta do palácio. Ruth, que usava um tailleur de lã bege, fez uma reverência à rainha, curvando-se para se despedir.
A rainha, de tailleur vermelho e colar de pérolas, cumprimentou os principais membros da comitiva presidencial, dentro do Palácio de Buckingham. O casal real, então, acompanhou o presidente e a primeira-dama até o portão de sua residência oficial.
Fernando Henrique Cardoso deixou o palácio, onde se hospedou por quatro dias, às 10h, no Rolls Royce preto da Coroa, em uma comitiva de sete carros. A primeira-dama foi no carro que fechava a comitiva.
Anteontem, FHC ofereceu um jantar à rainha Elizabeth na residência da embaixada brasileira, em Londres. Ao contrário da casaca dos dias anteriores, o presidente optou por um smoking.

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