Os militares não devem sofrer cortes em seu orçamento de 2001 para garantir o aumento salarial de 28,23% que receberão a partir do dia 1º, com a entrada em vigor da nova Lei de Remuneração dos Militares (LRM). A garantia é do próprio presidente Fernando Henrique à área militar, por entender que eles já deram a sua contribuição na reestruturação da carreira, cortando benefícios.
Enquanto a equipe econômica tenta de alguma forma reduzir o orçamento da Defesa, os militares insistem numa regra de transição para o benefício de se aposentar recebendo proventos no posto imediatamente superior. Eles consideram inadmissível que alguém que está prestes a ir para reserva dentro dessa regra, seja prejudicado. A MP que vai regular a carreira dos militares seria assinada no último dia 15, mas ficará provavelmente para o dia 29, último dia de funcionamento do Congresso. A causa são as dificuldades nas negociações para encontrar as fontes de recursos para o reajuste, que totaliza R$ 1,6 bilhão.
Nas suas argumentações para defender o reajuste e a não retirada de recursos de seu orçamento para pagamento da nova despesa, os militares ressaltam que mesmo com o reajuste previsto na LRM, os gastos do governo com pessoal chegam a 37,2%. E lembram que este porcentual é muito abaixo que os 50% previstos na Lei Fiscal. Os militares destacam ainda que houve uma decisão política do governo de proteger a Amazônia, ‘‘e isso custa dinheiro’’, observou um oficial-general. Outro ponto da nova LRM que irritou bastante os militares foi a decisão de fixar em 7,5% a alíquota de contribuição que custeará a aposentadoria. Hoje, eles contribuem com apenas 5,1% sobre o soldo.

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