France-PresseHomenagemCardoso no túmulo do soldado desconhecido: coroa de floresOs Ministérios da Justiça e dos Transportes continuarão com o PMDB. ‘‘Os dois ministros são do PMDB, já eram do PMDB e continuarão sendo’’, disse ontem o presidente Fernando Henrique Cardoso em entrevista na Embaixada do Brasil em Roma. O presidente nega que vá promover uma reforma ministerial. Segundo ele, as duas pastas serão discutidas ‘‘no momento oportuno’’, mas ‘‘sem nenhuma reforma’’.
O ministro da Justiça, Nelson Jobim, que acompanha o presidente nas viagens à Inglaterra, Itália e Vaticano, foi indicado para a vaga do ministro Francisco Rezek no Supremo Tribunal Federal (STF) e está esperando aprovação do Senado. No Ministério dos Transportes, desde a saída do ex-ministro Odacir Klein, o presidente não indicou sucessor e deixou o secretário-executivo Alcides Saldanha como interino. As mudanças no ministério foram adiadas para depois da aprovação da emenda da reeleição, que passou em primeiro turno na Câmara em janeiro.
Em Brasília, assim que soube que a vaga de Rezek já estava sendo dada como certa para Jobim, o presidente do STF, Sepúlveda Pertence, fez o seguinte comentário: ‘‘Sem prejuízo da velha amizade pessoal e de todo o respeito e grande admiração intelectual pelo ministro Nelson Jobim, não devo, como presidente do STF, manifestar-me sobre a sua propalada indicação para compor a Corte na vaga aberta com a aposentadoria do ministro Rezek. Primeiro porque não foi oficializada a sua indicação pelo presidente da República; além disso, uma vez indicado o nome, o único juiz da proposta é o Senado Federal.’’
O PMDB foi essencial para que o governo conseguisse a maioria de três quintos para aprovar a reeleição. O partido ficou rachado com a proibição da convenção de só votar a emenda depois das eleições das Mesas da Câmara e do Senado, mas o apoio do Palácio do Planalto e das lideranças aliadas ao nome de Michel Temer (PMDB-SP) para a presidência da Câmara forçou os parlamentares peemedebistas a optar entre o governo e o partido.
Temer foi eleito com votos de muitos deputados do PMDB, os que também votaram a favor da reeleição. As duas votações serviram para que o governo pudesse mapear sua base parlamentar, que agora deverá aprovar as reformas paralisadas no ano passado.
Na terça-feira, em Roma, o presidente Fernando Henrique usou a expressão ‘‘maioria explícita’’ para explicar por que o governo acredita que as reformas serão aprovadas este ano no Congresso. As mudanças constitucionais precisam de 308 votos na Câmara e 49 no Senado.
Ontem, no segundo dia da viagem oficial à Itália, o presidente encontrou-se com o primeiro-ministro Romano Prodi. Segundo o chanceler Luiz Felipe Lampreia, além das conversas sobre economia, os dois fizeram comparações das experiências políticas dos dois países. Brasil e Itália tiveram crises políticas em períodos coincidentes.
Em 1992, quando o Congresso aprovou o impeachment do ex-presidente Fernando Color, a Itália vivia o auge da crise do seu sistema político, minado por denúncias de corrupção que geraram a operação ‘‘Mãos Limpas.’’ O presidente almoçou na Vila Madamma, residência oficial do primeiro-ministro.
Enquanto no Brasil o Congresso vota a emenda que permite a reeleição do presidente, governadores e prefeitos, na Itália o Parlamento criou uma comissão bicameral que apresentará até junho um projeto para mudar o sistema de governo. A idéia é que o parlamentarismo italiano adote um presidencialismo à francesa.
Prodi, cujo cargo é o de presidente do Conselho de Ministros, enfrenta dificuldades políticas para reformar o sistema previdenciário, e precisa fazer um ajuste fiscal. Ele afirmou ao presidente Fernando Henrique que o ajuste é indispensável. ‘‘Ou se faz agora ou não se faz mais’’, acredita. Um dos requisitos que os países europeus têm que atender para a unificação da moeda é de terem déficits de até 3% do seu Produto Interno Bruto (PIB). O déficit da Itália é maior, cerca de 4%.
Ontem de manhã, o presidente encontrou-se com o prefeito de Roma, Francesco Rutelli, no Palácio Campidoglio. Fernando Henrique posou para fotos junto às estátuas de Júlio Cesar e do imperador Marco Aurélio, que está sendo restaurada. O primeiro compromisso da manhã, às 10 horas, foi depositar uma coroa de flores no túmulo ao soldado desconhecido, no Altar da Pátria, no monumento a Vittorio Emmanuel II, que unificou a Itália. Depois do almoço com o primeiro-ministro, o presidente visitou a Capela Sistina.

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