FHC fixa prioridades para o semestre
Agência Folha
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso se reuniu ontem com os articuladores políticos do governo, no Palácio da Alvorada, para discutir as prioridades do Congresso para o segundo semestre. Estamos discutindo os principais assuntos para a retomada dos trabalhos do Congresso (em agosto), como reforma tributária, Lei de Responsabilidade Fiscal e lei postal, afirmou o ministro das comunicações Pimenta da Veiga, articulador político do governo. Outro ponto citado como prioritário foi a reforma política. Ficamos de conversar na semana que vem para aprofundar, completou.
Sobre o fato de Pedro Novais (PMDB-MA), relator da Lei de Responsabilidade Fiscal, ter restrições ao projeto do governo federal, Pimenta afirmou que isso foi discutido e que representantes do governo vão conversar com o deputado para conhecer suas ponderações.
Segundo o ministro, haverá uma reunião de líderes antes da reabertura do Congresso para definir a estratégia do governo. O presidente deseja a maior eficiência possível na interlocução com o Congresso. A avaliação é que a reforma ministerial foi muito positiva. Não esperamos problema.
A proposta de imposto para beneficiar os pobres, feita pelo presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), não foi tratada no encontro. Depois da reunião, o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, ao ser questionado sobre a possibilidade de a idéia entrar na agenda do governo, se limitou a responder que não havia projeto apresentado sobre o tema. A regulamentação do imposto sobre grandes fortunas, de autoria do presidente Fernando Henrique (projeto apresentado em 1989, quando ele era senador), também não foi incluída entre as prioridades.
O projeto está na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. O ministro Pimenta da Veiga afirmou que os cuidados sociais do governo são grandes. Tudo que o governo faz tem como objetivo o social.
Além do ministro das Comunicações, participaram do encontro com FHC o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira e o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente.
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) qualificou de briga de beleza a disputa pela paternidade de projetos que têm por objetivo o combate à pobreza. Não interessa se Antonio Carlos Magalhães é ou não candidato à Presidência em 2002. O que importa é que o presidente do Congresso abriu uma discussão muito importante, que deve ser vista por seu lado positivo: o que as elites brasileiras podem fazer contra a miséria e a pobreza?, questionou Simon.
O senador anunciou que, no reinício dos trabalhos do Congresso, em agosto, vai propor um debate entre os principais líderes políticos sobre o que pode ser feito para reduzir os efeitos perversos da fome, da pobreza e do desemprego.





