FHC festeja com prefeitos no Planalto
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quinta-feira, 30 de janeiro de 1997
Agência Estado De Brasília 
Agência EstadoMomento da champagneCardoso entre os prefeitos: comemoração e agradecimentos no dia seguinte à aprovação da reeleição
O presidente Fernando Henrique Cardoso voltou ontem a festejar a aprovação da emenda da reeleição com 200 prefeitos que recebeu pela manhã no Palácio do Planalto. Há aqueles que se opõem porque temem que algum eventual ocupante possa derrotá-lo nas urnas, mas isso é casuísmo, é querer ganhar, como se diz na linguagem popular, no tapetão, disse o presidente ao agradecer o apoio dos presentes. Os atuais ocupantes, se tiverem prestígio e popularidade, empenhar-se-ão pela eleição dos seus sucessores e derrotarão aqueles que têm uma visão de curto prazo e só vêem seus interesses pessoais.
Cauteloso durante o discurso, Cardoso voltou a lembrar que precisa das reformas. Foi muito bom, mas têm muitas etapas ainda; agora eu quero ver as reformas também, disse Fernando Henrique. Na noite de terça-feira este era o bordão repetido pelos líderes governistas.
O Congresso Nacional, segundo o presidente, decidiu pensando que hoje o País tem uma sociedade amadurecida e que não cabe mais negar ao eleitor essa capacidade de julgar seus governantes, como se eles fossem menores de idade. Disse também que o Congresso demonstrou anteontem, mais uma vez, a capacidade de expressar aquilo que o País deseja.
Não cabe negar
à população julgar
seus governantes,
discursou FHC
Fernando Henrique disse ter sido mal interpretado pela imprensa quando afirmou que desejava ouvir a voz rouca das ruas, defendendo o plebiscito. Eu disse o oposto, disse que ele (o Congresso) teria a sensibilidade de captar aquilo que é o sentimento da rua, argumentou.
O presidente chamou de retrógrados os que criticam a reeleição com o argumento de que por meio da manipulação da máquina administrativa os governantes irão permanecer no governo. Laboram - não digo em erro, mas numa visão antiquada - os que pensam que o País não é maduro, que o povo brasileiro não será capaz de discernir, enfatizou. Até mesmo aqueles que utilizam a máquina, verão nisso um ponto contrário e não um ponto positivo.
Fernando Henrique afirmou que a reeleição dos governantes vai ser muito difícil. Se for aprovada pelo Congresso, serão reeleitos apenas aqueles que realmente satisfizerem a vontade popular, disse. Segundo o presidente, nos países onde existe o instituto da reeleição, os governantes enfrentam imensas dificuldades para manter o apoio da população no decorrer de sua administração. Ele destacou, entretanto, que o Brasil vive um momento peculiar da sua história, no qual a população percebeu os efeitos positivos das medidas econômicas, que aumentaram o otimismo e a confiança dos brasileiros em seus governantes.


