Agência EstadoChapãoOs líderes do governo saem da residência de Luís Eduardo Magalhães: chapa única para eleger presidente da Câmara

O governo apostava ontem ter 331 votos no plenário da Câmara para aprovar a reeleição - são necessários 308 para aprovar a emenda. A ofensiva para aprovar a reeleição-já mobilizou ontem o presidente Fernando Henrique Cardoso. O tempo foi tomado por sucessivas audiências com parlamentares, ministros, governadores, líderes e presidentes de partidos, por telefonemas, pelo corpo-a-corpo e pela contabilidade dos votos.
A movimentação visou especialmente conter uma rebelião no PMDB, inseguro da eficácia do acordo com os aliados para fazer o líder Michel Temer (SP) chegar à presidência da Câmara. Logo em seguida a um almoço na casa do presidente da Câmara, em que o comando político do governo conferiu o voto de cada um dos 513 deputados, os líderes do PMDB, do PFL e do PSDB formalizaram um ‘‘chapão’’ para compor as vagas de cada aliado na próxima Mesa Diretora da Câmara.
A presidência será de Michel Temer, do PMDB, a vice-presidência e a quarta secretaria ficarão com o PFL e a primeira secretaria vai para um tucano. Se o PT quiser, poderá pegar a segunda vice-presidência e eleger o corregedor-parlamentar, uma espécie de ‘‘xerife’’ da ética e do decoro parlamentar.
‘‘Com o acordo selado, a maioria fica composta e garante não só a eleição de Michel Temer como a aprovação da reeleição’’, disse o ministro de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos. Segundo ele, todas as vezes em que PMDB, PFL e PSDB atuaram juntos, o governo foi bem sucedido. ‘‘Foi assim que aprovamos todas as emendas constitucionais da ordem econômica’’, disse o ministro.
Mesmo com o ‘‘chapão’’ para a Mesa da Câmara, o PMDB ainda dava sinais de rebeldia. O partido aceita aprovar a emenda no primeiro turno, mas ainda condiciona o voto no segundo turno à eleição de Michel Temer. O líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), não vê mais sentido na rebelião. ‘‘Sinal maior de confiança do que fazer a chapa não pode haver’’, disse ele.
O ministro Luiz Carlos Santos acha que o descontentamento será superado nas próximas 24 horas. Ele prevê ainda reflexos positivos do acerto na convenção nacional do partido, marcada para domingo. ‘‘Se a presidência da Câmara é fundamental para o PMDB, a convenção não pode prejudicar a campanha de Michel Temer’’, alertou o ministro.
O presidente Fernando Henrique mostrou-se preocupado com os rumores de que a aprovação da emenda da reeleição resultará em uma reforma ministerial. De acordo com o porta-voz do Planalto, Sérgio Amaral, não é intenção do presidente mexer no ministério. ‘‘Isto não foi discutido com nenhum líder’’, garantiu o embaixador. Segundo o porta-voz, poderá até haver algum ajuste em ministérios, como o dos Transportes e Justiça.

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