Agência Estado
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RespeitoFernando Henrique Cardoso e o presidente de Portugal Jorge Branco Sampaio: aplausos comedidosSem fazer qualquer referência direta às manifestações promovidas ontem pela oposição ao governo, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse, durante as comemorações do 7 de Setembro, que os excluídos já são objeto de uma ‘‘mobilização nacional’’ promovida desde o início de seu governo. ‘‘Não existe liberdade onde impera a violência, não há democracia onde prevalece a discriminação, não se constrói a igualdade onde segmentos expressivos da população são excluídos da repartição das riquezas, da cidadania política ou do saber’’, resumiu FHC no discurso.
FHC deixou de lado o improviso e leu, nos jardins do Palácio da Alvorada, um pronunciamento preparado com três dias de antecedência. O termo ‘‘excluídos’’, que batizou a manifestação da oposição, apareceu logo no início e foi repetida várias vezes no discurso. O presidente destacou a ação do programa Comunidade Solidária como exemplo do cuidado de seu governo com os excluídos: ‘‘As políticas públicas universais têm de ser complementadas por um esforço concentrado em favor dos bolsões de pobreza e dos desassistidos’’.
O pronunciamento pelo Dia da Independência apresentou um balanço da ação do governo na área de direitos humanos - tema de todos os discursos de FHC na data - com ‘‘planos novos e ambiciosos’’, que o próprio FHC chamou de ‘‘projeto de Brasil’’. São diretrizes que serão usadas como base da campanha por um segundo mandato, no ano que vem. A estabilidade da moeda, o crescimento econômico e a geração de empregos foram apontadas como as ‘‘três vigas mestras’’ da ação do governo. Sem citar a campanha da reeleição, FHC disse que pretende completar a reforma do Estado brasileiro e promover ‘‘um combate sem trégua à desigualdade e à pobreza’’.
FHC repeliu a pecha de neoliberal e criticou, ao mesmo tempo, os que têm ‘‘nostalgia de um Estado onipresente’’. Disse que o Brasil precisa de um Estado forte, eficiente, transparente e descentralizado, capaz de dar um ‘‘xeque-mate às formas insidiosas de clientelismo’’. Cercado por 50 crianças integrantes do programa de erradicação do trabalho infantil e outras 40 premiadas em um concurso de frases sobre o Brasil, FHC lançou um desafio para a reta final de seu mandato: garantir educação para 2,7 milhões de crianças que ainda estão fora da escola. Esse número é resultado do cruzamento do censo escolar com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e significa que 9% das crianças entre 7 e 14 anos estão fora da escola.
Segundo FHC, o índice é semelhante ao dos Estados Unidos e da França, mas superior ao da Coréia, onde estudam 99% das crianças em idade escolar. Embora já tivesse feito a promessa há um mês, durante visita a Salvador (BA), FHC disse que só terá uma estratégia para cumpri-la dentro de mais 30 dias. Ela será elaborada pelo ministro Paulo Renato Souza (Educação). ‘‘Sei que é uma meta ambiciosa e de difícil execução’’, avaliou o presidente. ‘‘O governo vai trabalhar dia e noite para que as crianças não trabalhem mais’’, completou.

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