O presidente Fernando Henrique Cardoso fará amanhã, em Porto Alegre, o mais importante discurso da primeira fase da campanha de reeleição. ‘‘Será o ato inaugural da campanha, o primeiro pronunciamento de Fernando Henrique como candidato, o primeiro comício, sem a poluição do cargo presidencial’’, explicou a deputada Yeda Crusius (PSDB-RS). Segundo a deputada, o comício foi planejado ‘‘há um ano e meio’’ para ser o parâmetro estrutrural e político da campanha da reeleição de Fernando Henrique.
Os organizadores do comício desejam reunir entre 15 e 20 mil pessoas no ginásio Gigantinho, do Internacional Futebol Clube. Dezenas de caravanas estão sendo organizadas pelos partidos aliados, no interior do Rio Grande do Sul, para levar a Porto Algre militantes que apóiam a reeleição do presidente e do governador Antônio Britto (PMDB). O presidente deve chegar ao Estado às 11 horas. Antes de se dirigir ao local do comício, ele participará de um churrasco típico, no Parque da Harmonia, com a presença dos políticos que compõem a aliança da reeleição e, à tarde, discursará na Festa da Reeleição, que é como foi denominado o ato público no ginásio coberto.
A campanha do presidente foi dividida em duas fases. A primeira, a ser aberta nesse ato, será a fase da prestação de contas do governo. No discurso, o presidente pretende fazer um balanço das obras. Ele deverá indicar também os critérios políticos que considera adequados para distinguir, nas campanhas regionais, as obras federais, estaduais e municipais, que têm provocado disputas de autoria e sérios conflitos entre os partidos aliados nos estados.
Em Brasília, o comitê central da campanha começará a divulgar na próxima semana um conjunto de 26 relatórios setoriais, elaborados pelos ministérios e agênciais federais, nos quais o governo relaciona detalhadamente as realizações. Os primeiros 13 cadernos foram entregues à coordenação do programa de governo no último sábado, que os enviou para impressão e encardenação numa gráfica de São Paulo.
De acordo com uma alta fonte do comitê de campanha da reeleição, o presidente fará um discurso de ‘‘líder de coligação’’ para definir formas de convivência entre os aliados, especialmente nos estados em que a coalizão nacional que o apóia não foi reproduzida. O Rio Grande do Sul foi escolhido para isso porque Britto conseguiu compor no Estado a coligação nacional da reeleição e agregar a ela outros partidos. A aliança de Fernando Henrique tem seis partidos e a de Britto, 11.
A segunda fase da campanha será lançada no início de agosto, com a apresentação do programa para o eventual segundo mandato de Fernando Henrique, o ‘‘Mãos à Obra 2’’. Além de referências objetivas às realizações do primeiro mandato, o documento conterá as novas políticas que o candidato prometerá implementar e indicará aquelas a que ele pretende dar continuidade. O ‘‘Mãos à Obra 2’’ está sendo elaborado no comitê central de campanha, sob a coordenação do professor Carlos Pacheco, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com a assessoria do ministro da Educação, Paulo Renato Souza, que coordenou a redação do programa de 1994. A primeira-dama Ruth Cardoso deverá integrar-se à equipe nos próximos dias.

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