Agência EstadoOpção econômicaChirac na Fiesp, ladeado por Fernando Henrique Cardoso e Carlos Eduardo Moreira Ferreira: agribusinessSÃO PAULO - O presidente da França, Jacques Chirac, propôs ontem o reordenamento mundial da comercialização e da produção agrícola e agroindustrial. Chirac se reuniu com empresários, justificou os pesados subsídios concedidos ao agricultores franceses e aos exportadores das mercadorias da área de agribusiness, motivo da principal queixa do governo brasileiro e dos empresários rurais do País.
O governo francês, segundo afirmou, é levado a manter incentivos para esse setor de atividade para fazer frente à política protecionista adotada pelos Estados Unidos. Chirac informou que um em cada quatro franceses está envolvido com as atividades do agribusiness. A França é o país que mais exporta produtos agrícolas processados e o segundo maior exportador de produtos agrícolas in natura. O valor per capita das exportações daquele país supera o dos Estados Unidos e do Japão. Seus principais clientes nesse ramo são os parceiros da União Européia.
O protecionismo francês foi o principal tema do pronunciamento do presidente Fernando Henrique. Também foi abordado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, durante reunião ocorrida na sede da entidade. As alíquotas de importação impostas aos produtos agrícolas brasileiros industrializados pelos países europeus chegam a 70%, queixou-se o presidente do Conselho de Administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan.
O debate em relação ao protecionismo na área agrícola, segundo Chirac, virou um ‘‘diálogo de surdos’’. A produção mundial de alimentos deverá dobrar nos próximos 25 anos. ‘‘É preciso reorganizar esse mercado para que se possa superar os conflitos’’, acrescentou. A França, segundo seu presidente, está disposta a discutir esse tema. Chirac disse, porém, que o valor das exportações agrícolas brasileiras para a França é dez vezes maior do que no sentido inverso. As vendas do setor realizadas pelo Mercosul para a União Européia também são expressivas. Superam em seis vezes as importações de produtos agrícolas europeus realizadas pelos países da região.
Para Furlan, Chirac incluiu nessa conta as exportações de soja, café e celulose, o que, na sua opinião, altera de forma significativa o cálculo, uma vez que compara produtos industrializados de maior valor agregado, exportados pela França, com as vendas de commodities feitas pelos países do Mercosul.

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