FHC exige transparência na transição
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quarta-feira, 30 de outubro de 2002
Tânia Monteiro<BR>Agência Estado 
Brasília- Transparência total. Esta foi a palavra de ordem do presidente Fernando Henrique Cardoso aos 37 interlocutores do governo que trabalharão com a equipe de transição do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião de mais de uma hora, ontem, no Palácio do Planalto. Mais de uma vez, o presidente disse que o governo ``não tem nada a esconder e que todas as decisões tomadas até o dia 31 de dezembro deste ano são de inteira responsabilidade da atual administração``. Segundo o coordenador do processo de transição, o ministro da Casa Civil, Pedro Parente, a ressalva feita na reunião aos interlocutores do governo é que informações consideradas sigilosas só poderão ser repassadas a até 15 pessoas credenciadas pelo coordenador da equipe do novo presidente, prefeito de Ribeirão Preto (SP), Antônio Palocci.
``Foram repassadas as informações de como serão as regras do jogo``, disse Parente, ao insistir que o presidente quer uma transição ``harmônica e construtiva``. A partir da próxima semana, de acordo com o ministro, as reuniões com a equipe de transição serão realizadas às terças, quartas e quintas-feiras.
Disse ainda que integrantes da equipe de Lula serão convidados a participar de encontro em que o atual governo for analisar assuntos considerados relevantes e que tenham repercussões em 2003. ``É legítimo e necessário que eles sejam consultados nestes casos``, reiterou, ao citar como exemplo, a renegociação com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Ao falar da negociação com o FMI, Parente reafirmou a equipe do fundo que discutirá a revisão do acordo com o Brasil terá reuniões com a equipe de transição do atual governo, com a do futuro governo e com as duas equipes em conjunto até o final de novembro.
Explicou, no entanto, que o formato das reuniões com o FMI dependerá dos temas a serem discutidos: quando o que estiver em jogo forem mudanças de metas que serão cumpridas pelo próximo governo, a opinião dele será preponderante.
Parente não quis polemizar a declaração de Palocci de que a equipe de transição não participará dessas discussões.
``Acho difícil que eles não queiram opinar``, desconversou o ministro. A equipe de transição deverá estar presente para discussões conjuntas em vários fóruns, como está na reunião do comitê de negociação comerciais, em Quito, com a presença do deputado Paulo Delgado (PT-MG).
Sigilo - Como exemplo de questões consideradas restritas e que não podem ser repassadas a todas as pessoas, Parente citou informações pessoais, bancárias e de Imposto de Renda, que são protegidas por sigilo legal e determinadas políticas públicas, como por exemplo, a colocação de títulos da dívida pública. ``Informações pessoais certamente não serão solicitadas e, se forem, certamente não serão atendidas``, observou o ministro.


