Arquivo FolhaPuxão de orelhaMotta: ministro estava em São Paulo e embarcou no final da tarde para Brasília, por ordem de FHCO presidente Fernando Henrique Cardoso mandou chamar o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, para explicar suas declarações à revista ‘‘Veja’’ desta semana, com críticas a ministros e aliados do governo no Congresso. O porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral, afirmou que o presidente leu a entrevista e ‘‘não gostou’’ das declarações de Motta. No início da noite de ontem, Fernando Henrique telefonou aos líderes do PMDB para dizer que não concorda com as declarações e reiterar que está satisfeito com os esforços do partido na votação das reformas.
O porta-voz da Presidência não quis fazer comentários sobre a possibilidade de o ministro ser demitido: ‘‘Não tenho condições de falar’’, respondeu. Sérgio Motta estava em São Paulo e embarcou no final da tarde para Brasília. Na quinta-feira passada, o Palácio do Planalto teve de negar os boatos de demissão de Sérgio Motta. ‘‘O Planalto desconhece o assunto’’, disseram os assessores do presidente.
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), responsabilizou o ministro pelo eventual fracasso do governo nas votações das reformas a partir de agora. Além de atacar aliados do governo, Sérgio Motta afirmou que a reforma da Previdência não é importante. ‘‘Se as coisas não andarem nessa Casa ou na outra, o presidente já sabe porqu꒒, disse o senador ontem. A reforma da Previdência está na pauta do Senado esta semana e a emenda que prorroga o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) aguarda votação na Câmara.
O ministro da Justiça, Íris Rezende, classificado como uma ‘‘decepção’’ por Sérgio Motta na entrevista, por não ter conseguido mais votos do PMDB para o governo, negou que tenha sido nomeado para negociar com o Legislativo. ‘‘Quem avalia ministro de Estado é o presidente da República e não o ministro Sérgio Motta’’, rebateu Rezende. Também criticado, o ministro dos Transportes, deputado Eliseu Padilha (RS), preferiu não responder.
Mas o PMDB saiu em defesa dos dois. ‘‘Foi um grande equívoco do ministro Sérgio Motta’’, disse o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Segundo Temer, os ministros nomeados são da confiança do presidente. ‘‘O povo brasileiro conhece o homem público que é Iris Rezende e a competência do ministro Eliseu Padilha.’’
Na entrevista, Motta referiu-se ainda ao senador Antônio Carlos como ‘‘um mestre’’ da política, que, ‘‘sempre que pode, dá uma faturadinha’’. O presidente do Congresso não deixou por menos. ‘‘De fatura, sei com certeza que ele conhece mais do que eu’’, atacou ACM. O senador considerou a fala do ministro ‘‘um equívoco que não facilita em nada o trabalho que se faz com os partidos aliados’’.
A cúpula do PMDB não tomou as declarações de Motta como recado do chefe Fernando Henrique. ‘‘Prefiro ficar com as palavras doces do presidente ao PMDB na madrugada de quarta-feira passada’’, disse o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA).

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