FHC exige explicações de Sérgio Motta
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segunda-feira, 21 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaPuxão de orelhaMotta: ministro estava em São Paulo e embarcou no final da tarde para Brasília, por ordem de FHCO presidente Fernando Henrique Cardoso mandou chamar o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, para explicar suas declarações à revista Veja desta semana, com críticas a ministros e aliados do governo no Congresso. O porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral, afirmou que o presidente leu a entrevista e não gostou das declarações de Motta. No início da noite de ontem, Fernando Henrique telefonou aos líderes do PMDB para dizer que não concorda com as declarações e reiterar que está satisfeito com os esforços do partido na votação das reformas.
O porta-voz da Presidência não quis fazer comentários sobre a possibilidade de o ministro ser demitido: Não tenho condições de falar, respondeu. Sérgio Motta estava em São Paulo e embarcou no final da tarde para Brasília. Na quinta-feira passada, o Palácio do Planalto teve de negar os boatos de demissão de Sérgio Motta. O Planalto desconhece o assunto, disseram os assessores do presidente.
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), responsabilizou o ministro pelo eventual fracasso do governo nas votações das reformas a partir de agora. Além de atacar aliados do governo, Sérgio Motta afirmou que a reforma da Previdência não é importante. Se as coisas não andarem nessa Casa ou na outra, o presidente já sabe porquê, disse o senador ontem. A reforma da Previdência está na pauta do Senado esta semana e a emenda que prorroga o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) aguarda votação na Câmara.
O ministro da Justiça, Íris Rezende, classificado como uma decepção por Sérgio Motta na entrevista, por não ter conseguido mais votos do PMDB para o governo, negou que tenha sido nomeado para negociar com o Legislativo. Quem avalia ministro de Estado é o presidente da República e não o ministro Sérgio Motta, rebateu Rezende. Também criticado, o ministro dos Transportes, deputado Eliseu Padilha (RS), preferiu não responder.
Mas o PMDB saiu em defesa dos dois. Foi um grande equívoco do ministro Sérgio Motta, disse o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Segundo Temer, os ministros nomeados são da confiança do presidente. O povo brasileiro conhece o homem público que é Iris Rezende e a competência do ministro Eliseu Padilha.
Na entrevista, Motta referiu-se ainda ao senador Antônio Carlos como um mestre da política, que, sempre que pode, dá uma faturadinha. O presidente do Congresso não deixou por menos. De fatura, sei com certeza que ele conhece mais do que eu, atacou ACM. O senador considerou a fala do ministro um equívoco que não facilita em nada o trabalho que se faz com os partidos aliados.
A cúpula do PMDB não tomou as declarações de Motta como recado do chefe Fernando Henrique. Prefiro ficar com as palavras doces do presidente ao PMDB na madrugada de quarta-feira passada, disse o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA).


