FHC exige coordenação contra drogas
Isabel Braga
Agência Estado
De Brasília
Ao empossar ontem o ministro da Justiça, José Gregori, o presidente Fernando Henrique Cardoso exigiu a coordenação das ações de combate ao narcotráfico e crime organizado e segurança pública. A sociedade não quer saber, burocraticamente, se tal ou qual atribuição é deste ou daquele, afirmou o presidente. Hoje, a sociedade brasileira reclama o fim da violência, do crime, da corrupção e da impunidade e o Ministério da Justiça é partícipe ativo desse processo, acrescentou.
A falta de entendimento entre a Polícia Federal (PF), ligada ao Ministério da Justiça, e a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), subordinada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), fez com que o presidente demitisse dois colaboradores esta semana: o ex-ministro José Carlos Dias e o ex-secretário Wálter Maierovicht. Fernando Henrique afirmou que o combate ao narcotráfico, crime organizado e violência não pode ser considerado um atributo específico dos Estados, da União, desse ministério, daquele ministério.
É uma tarefa de todos nós que tem de ser feita com a vocação de serviço e de coordenação e não com a vocação burocrática de saber: até que ponto eu vou? Até que ponto vai o outro?, determinou. Desde que foi criada, em 1998, a Senad vem disputando com a PF a competência pelo combate ao crime organizado, sem conseguir executar um trabalho articulado.
No discurso, Fernando Henrique criticou indiretamente a postura de Dias, ao fazer elogios ao novo titular da pasta. Fernando Henrique destacou que Gregori não se sente diminuído ao compartilhar responsabilidade, é um homem afeito ao trabalho em equipe e sabe que, em certos momentos, menos do que o brilho pessoal, é (necessária) a capacidade de entender a situação e de (trabalhar) em conjunto para resolver os muitos problemas que temos.
Fernando Henrique falou sobre as disputas de vaidade que afetam os que ocupam o poder e provocam as demissões desta semana. Segundo o presidente, pelas qualidades que possui, seria natural que Gregori tivesse se perguntado: Por que não eu (ser escolhido como ministro da Justiça)?.
O presidente respondeu que, em vez disso, Gregori entendeu as razões políticas e contribuiu para a criação de um clima de harmonia no governo. Dizem que tanto ele (Gregori), quanto eu somos pavões, comentou o presidente, provocando risos dos convidados. Para o presidente, a vaidade é inerente ao poder, mas precisa ser uma vaidade aberta, sem maldade. Segundo Fernando Henrique, as disputas de vaidade não podem se transformar em maledicência que prejudica o outro, mas, simplesmente, o olhar no espelho que, muitas vezes, até assusta, porque não se é tão bonito assim, acrescentou.
A única vez que o presidente citou o nome de Dias no discurso foi para enaltecer o esforço dele na modificação do Código Penal. Teve um trabalho intenso de agrupar pessoas para que nós pensássemos com maior modernidade e atualização a questão dos nossos códigos, elogiou o presidente, para acrescentar, em seguida, que a tarefa precisa ir além disso: É também responsabilidade do Ministério da Justiça a luta contra a impunidade e a violência.
Segundo o presidente, a luta em favor dos direitos humanos é a marca principal do novo ministro da Justiça. Hoje, os brasileiros têm orgulho de dizer que, sim, há injustiças no Brasil, há tropelias, há violência, mas ela não é coonestada (disfarçada) pelo poder público, afirmou. O poder público faz o que pode para limitá-la, para sancioná-la, para reprimi-la.
Fernando Henrique ressaltou ainda a cooperação da Comissão de Direitos Humanos da Câmara na luta pelo cumprimento das leis no País. De acordo com o presidente, mesmo sendo presidida por parlamentares de oposição ao governo, a comissão nunca transformou a batalha pelos direitos humanos numa briga política menor, uma oposição meramente partidária.
Ao encerrar o discurso, Fernando Henrique disse a Gregori que ele sempre contará com o apoio dele e a cooperação dos demais ministérios. O presidente afirmou saber que a tarefa de Gregori, de recuperar a tranquilidade da família brasileira, não será fácil. Ele disse também que a amizade entre os dois continuará inabalável.
A posse de Gregori contou com a presença de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), ministro da Defesa, Geraldo Magela Quintão, diretor-geral da PF, Agílio Monteiro Filho, e primeira-dama Ruth Cardoso, entre outros convidados.





