O presidente Fernando Henrique Cardoso regressou ontem a Brasília, depois de uma viagem de três dias à Cidade do México, onde participou da reunião do Grupo do Rio, ao lado de nove outros presidentes. Durante os três dias que esteve no México, Fernando Henrique negou-se a falar sobre qualquer problema interno brasileiro.
Mas, o que mais o preocupa na volta ao Brasil é a pressão que o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, está sofrendo por causa das denúncias de que teria patrocinado o grampo durante o processo de privatização da Telebrás. O presidente considera o general um dos mais leais e mais importantes assessores. Por isso mesmo, quer o preservar dos ataques que está sofrendo. Durante a viagem, quando a crise do grampo envolvendo a Casa Militar se agravou, o general não telefonou para Fernando Henrique.
Na chegada a Brasília, ainda na Base Aérea, o general deveria colocar o presidente a par dos acontecimentos e das medidas tomadas por ele durante os últimos dias. Pouco antes de embarcar, ainda no Hotel Nikko, onde ficou ficou hospedado, o presidente, ao ser indagado se esperava que esta semana seja mais calma, apenas sorriu concordando com um aceno de cabeça.
A primeira-dama Ruth Cardoso, no entanto, que estava ao lado dele, foi quem respondeu: ‘‘Claro, todos esperamos’’. Além da questão do grampo durante a privatização do Sistema Telebrás, o presidente enfrentará uma outra guerra: travada entre os ministros da Previdência Social, Waldeck Ornélas, e da Saúde, José Serra. Mas Fernando Henrique espera que o assunto tenha se esgotado no fim de semana e está confiante que, com os ânimos mais calmos, os dois ministros parem de trocar ofensas.

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