O coordenador da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no Paraná, José Carlos Gomes de Carvalho, Carvalhinho, confirmou ontem que FHC estará em Cascavel e Maringá no dia 28. Os detalhes da agenda de FHC ainda não estão definidos e Carvalhinho pretende se reunir hoje, em Brasília, com o coordenador político da campanha presidencial, Euclides Scalco. O encontro tratará da programação de Fernando Henrique no Estado e de definições sobre a campanha.
FHC estaria em Maringá no dia 7, mas a viagem foi cancelada por causa de divergências entre o governador Jaime Lerner (PFL) e o ex-governador Álvaro Dias (PSDB). O tucano não aceitou dividir o mesmo palanque que Lerner e poderia sair prejudicado na briga por espaço.
Ontem, Álvaro disse que não pretende mudar de opinião e não subirá no mesmo palanque que Lerner. Ele irá receber o presidente no aeroporto das duas cidades, mas não participará de nenhuma solenidade ao lado do governador. ‘‘Inevitavelmente haveria exploração’’, disse Álvaro, através de sua assessoria. Ele afirmou que FHC sabe de sua posição e ‘‘é muito bem-vindo’’.
Na semana passada, PFL e PTB divulgaram um manifesto de apoio à candidatura de Álvaro ao Senado. ‘‘Evidente que como não exigimos recíproca, Álvaro não deve estar no palanque, mas reina a paz’’, afirmou Carvalhinho, que também é presidente do diretório estadual do PFL.
Lerner disse ontem, antes da posse do secretário Ibrahim Fayad, que vai acompanhar passo a passo a vinda do presidente ao Paraná e que se deslocará para Maringá e Cascavel. ‘‘Vou em todos os eventos’’, prometeu. Segundo Lerner, o ‘‘próprio povo já associou a imagem’’ do presidente com a sua. ‘‘Prova disso é que as nossas votações foram semelhantes em 94’’, emendou.
Apesar de Álvaro ter declarado que não sobe no mesmo palanque que Lerner, o presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), avaliou que a vinda de FHC será uma oportunidade para aproximá-los. ‘‘É natural que ambos comunguem de um mesmo palanque, já que PSDB e PFL são aliados nacionais’’. O futuro político de Álvaro também vai pesar no processo, segundo o deputado. ‘‘É melhor para o Álvaro que o Lerner vença agora, para na próxima eleição ser o candidato ao governo mais forte’’, observou.
No Palácio Iguaçu, as informações são de que o PFL não vai dar descanso para o presidente e usará a visita presidencial para vincular ao máximo a imagem do presidente com a de Lerner e a de Lula com o do candidato ao governo pelo PMDB, senador Roberto Requião (PMDB). Sabendo que o eleitorado do Paraná é considerado um dos mais conservadores do País, os governistas pretendem tirar vantagem disso.
O presidente estadual do PFL pretende transformar a votação de FHC no Paraná na maior do País, proporcionalmente. Nas eleições anteriores, o presidente teve aqui sua segunda melhor votação. ‘‘Tem toda chance, já que o PSDB tem um candidato fortíssimo ao Senado e um candidato forte ao governo e tudo está transcorrendo da melhor forma possível. Ninguém entra em Olimpíada para ser segundo’’, afirmou. (Colaborou Leandro Donatti)

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