Primeiro presidente reeleito do País, Fernando Henrique Cardoso enfatizou ontem, no seu discurso de posse no Congresso, a necessidade de o País realizar o ajuste fiscal, com a conclusão das reformas constitucionais e com o fim ‘‘do tormento do déficit público’’.
Ele assegurou que não hesitará em adotar as medidas necessárias para atingir essa meta, a exemplo do que fez para defender o real. ‘‘Não fui eleito para ser o gerente da crise’’, afirmou. ‘‘É melhor o remédio amargo que cura a doença do que a febre crônica que debilita as forças e compromete a saúde do organismo’’.
O presidente Fernando Henrique voltou a cobrar a fidelidade de seus aliados, como fez no anúncio do novo ministério. Ele anunciou que ‘‘marchará com determinação’’ para obter do Congresso o ajuste fiscal ‘‘e para livrarmos o Brasil da armadilha dos juros altos que tanto aguilhoam nosso ímpeto de crescimento econômico’’. Isso será conseguido com o aperfeiçoamento das reformas previdenciária e administrativa, aprovadas no ano passado, e com a realização das reformas tributária, política e judiciária. Ele prometeu que continuará se empenhando para construir uma economia estável, moderna, aberta e competitiva. ‘‘Para prosseguir com firmeza na privatização, para apoiar os que produzem e geram empregos’’, justificou. ‘‘E assim colocar o País na trajetória do crescimento sustentado, sustentável’’.
O discurso do presidente não agradou a todos. O deputado José Genoíno (PT-SP) disse que achou suas palavras ‘‘burocratas, rotineiras, sem emoção’’. ‘‘Diante da crise que o País atravessa, o presidente deveria ter sido mais incisivo nas suas intenções’’, defendeu. ‘‘Ele tinha que fazer um discurso de estadista e não um discurso de quem está satisfeito com o próprio governo’’. Genoíno foi um dos poucos parlamentares de oposição que se deslocaram dos Estados para comparecer à cerimônia da segunda posse de Fernando Henrique. Estavam presentes o deputado Haroldo Sabóia (PT-MA) e o senador eleito Roberto Saturnino (PSB-RJ), representando o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT).
O primeiro-secretário do Congresso, deputado Ubiratan Aguiar (PSDB-CE), leu o termo de posse assinado pelo presidente e pelo vice Marcos Maciel. O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), oficiliazou o ato, declarando-os nos cargos até o dia 31 de janeiro de 2002.
Compareceram poucos parlamentares da base aliada do Congresso. O líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), chegou ao final da cerimônia, por causa do atraso do vôo que o trouxe de Recife.
No discurso de 19 páginas, o presidente Fernando Henrique reconheceu que há muito o que fazer no País para superar as desigualdades sociais. ‘‘Nossos desafios continuam imensos, mas estamos em melhores condições para enfrentá-los’’. ‘‘Preparamos o terreno, plantamos a semente’’. Também admitiu que há divergências no recém-iniciado diálogo com a oposição, mas que espera superá-las com temas e ações que estão acima das diferenças partidárias. O presidente disse que espera, no segundo mandato, fazer um acerto de contas com o passado. ‘‘E ao mesmo tempo, tratando de impedir que a prosperidade que resulta da ampliação dos fluxos de capitais, conhecimentos e tecnologias venha contaminada pelo vírus da exclusão’’, esclareceu.Ed Ferreira/AE(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)CerimôniaFernando Herique Cardoso conversa com o presidente da Câmara Michel Temer ao lado do senador Antonio Carlos MagalhãesRosa Costa e
Cláudia Carneiro
Agência Estado

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