O presidente Fernando Henrique Cardoso embolou ontem ainda mais o quadro sucessório dentro do PSDB ao citar cinco nomes do partido que poderão disputar a Presidência, no ano que vem. Para o presidente, são presidenciáveis os governadores Geraldo Alckmin (São Paulo), Tasso Jereissati (Ceará) e Dante de Oliveira (Mato Grosso do Sul), além dos ministros Paulo Renato Souza (Educação) e José Serra (Saúde).
Fernando Henrique, que hoje chega a Madri para uma visita de quatro dias, disse estar satisfeito com o número de presidenciáveis tucanos. ''Isso é um dado importante. Quase todos os partidos são de uma nota só.'' Mas destacou que não defende a tese de que uma possível chapa conjunta da base aliada para disputar a Presidência tenha que ser obrigatoriamente encabeçada por um tucano. Apesar das declarações, o presidente disse que está fora da discussão sobre a escolha do candidato do PSDB a sua sucessão em 2002.
O presidente também fez críticas à oposição, que estaria, segundo ele, agindo ''como uma barata tonta'. ''Um dia diz uma coisa, outro dia diz outra', disse ele. ''Não sou eu quem vai julgar se ela está madura ou não (para assumir a Presidência). Se a oposição tiver o melhor caminho, vou até aplaudir. Até agora, vejo como uma barata tonta.''
O presidente defendeu ainda o ministro Pedro Malan, que foi alvo de críticas veladas, nos últimos dias, de seus companheiros de partido - os presidenciáveis Serra e Tasso Jereissati. ''Seria injusto imaginar que o ministro (Pedro) Malan (Fazenda) é contra o desenvolvimento. Ser contra o desenvolvimento é como ser a favor da pobreza.''
Nos bastidores, o Planalto decidiu usar a estratégia de investir no racha do PMDB, isolando o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB). Mas em vez de operar para impedir a candidatura de Itamar a presidente, o Executivo passou a trabalhar com outro cenário: o do governador de Minas na disputa.
O motivo da mudança é pragmático. Embora o governador seja inimigo de FHC, a candidatura dele convém ao governo porque enfraquece o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PPS); agrega setores da esquerda, como o PDT do ex-governador do Rio Leonel Brizola; e impede a candidatura única das oposições, que poderia dar vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno.

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