Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Fernando Henrique, durante solenidade ontem: aliados se agitamO presidente Fernando Henrique Cardoso está sendo pressionado para adiar a criação do Ministério Extraordinário do Desenvolvimento Urbano, que vai cuidar dos orçamentos dos setores de saneamento e habitação, hoje vinculados ao Ministério do Planejamento. A criação da nova pasta e a entrega ao presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Sergio Cutolo, aumentaria ainda mais o desequilíbrio entre as forças governistas, que agora favorece claramente o PSDB do presidente.
O PSDB fincou estacas na área social, com os Ministérios da Educação e da Saúde nas mãos de amigos do presidente, além de controlar a área econômica e o estratégico Ministério das Comunicações. Isso gerou um clima de intrigas entre os aliados do Palácio do Planalto que, somado aos entraves burocráticos para transferir as atividades da CEF e do Planejamento para esse novo ministério, são motivos que induzem o governo a desistir da criação da pasta imediatamente. Cutolo tende a ser mantido na CEF até que haja melhores condições para a criação da pasta.
‘‘A criação do novo Ministério do Desenvolvimento Urbano agora não está consolidada’’, reconheceu ontem à tarde o líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG), lembrando que, desde o início do governo, o partido vem defendendo a composição de um ministério específico para tratar de desenvolvimento urbano e das grandes metrópoles. Alguns tucanos defendem que o momento ideal para a criação do ministério seria no início de um segundo mandato de Fernando Henrique.
A razão de se criar o novo ministério está inteiramente ligada ao orçamento de R$ 8,3 bilhões administrados pela CEF - desses, R$ 2,5 bilhões estão direcionados para os programas de habitação popular, pouco mais de R$ 2 bilhões para os projetos de saneamento e o restante é usado nos programas de financiamento da casa própria. Portanto, a nova pasta só faria sentido agora se o ministro carregar consigo o comando operacional dos programas sociais administrados pela CEF, independentemente do Ministério do Planejamento.
Ontem foi mais um dia de disputas e indefinições entre os aliados de Fernando Henrique, nas articulações para a reforma ministerial. O Ministério do Trabalho, que ficou vago com a ida do ministro Paulo Paiva (PTB) para o Planejamento, era a bola da vez e um dos nomes mais cotados era o do ex-tucano Euclides Scalco. Embora tenha se desfiliado do PSDB, Scalco é amigo pessoal de Fernando Henrique e ‘‘tucano de coração’’, como dizem amigos dele. Além disso, o Planalto considera o Ministério do Trabalho um cargo a ser preenchido pela cota pessoal do presidente.
Uma banda do PPB na Câmara articulava ontem estender a reforma ministerial à pasta da Agricultura - um território do PTB desde o início do governo de Fernando Henrique. ‘‘Temos 81 deputados e o PTB só tem 21 e já levou o Ministério do Planejamento’’, argumentou o vice-líder do PPB na Câmara, deputado Pedro Correa (PE). Os pepebistas tinham até nome para o ministério cobiçado: o atual presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Francisco Turra.
A reação do PTB foi imediata. ‘‘Não abriremos mão do Ministério da Agricultura, que é tipicamente um ministério do PTB, e só os rumores disso já causam um enorme mal-estar no partido’’, rebateu o líder do PTB, Paulo Heslander (MG). ‘‘Se o presidente Fernando Henrique precisar, nem fazemos questão do Ministério do Planejamento porque, para nós ela, é da cota mineira, e não da cota do PTB’’, completou. Heslander procurou o líder do governo, deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), e avisou que o PTB não admitiria nenhuma ameaça contra o ministro da Agricultura, Arlindo Porto.

mockup