FHC e Maluf fazem acordo para aprovar as reformas
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terça-feira, 17 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) firmaram um pacto de boa convivência para conversas futuras. Este foi o resultado, segundo um parlamentar ligado ao ex-prefeito, da conversa reservada que os dois tiveram na segunda-feira à noite no Palácio da Alvorada. A conversa girou em torno de um acordo para o momento, conforme um político próximo a Maluf. O PPB prometeu se empenhar para aprovar as reformas e o governo federal, por sua vez, não vai dificultar o caminho de Maluf para o Palácio dos Bandeirantes.
Esta promessa de Maluf ao presidente Fernando Henrique ficou clara ontem de manhã. No Congresso, o líder do partido na Câmara, Odelmo Leão (MG), afirmou: Conversamos apenas sobre o andamento das reformas, e ele (Maluf) pediu o empenho total da bancada para aprová-las. O líder conversou de manhã, por telefone, com o ex-prefeito.
Esta é a rampa de lançamento para o acordo de 98, adiantou outro deputado malufista. De acordo com interlocutores de Paulo Maluf, a aproximação do ex-prefeito com o Palácio do Planalto passou também por uma conversa com o atual líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA). Ele teria sondado Maluf antes de aceitar o cargo. Com a difícil tarefa de conseguir unidade na base governista para garantir a aprovação das reformas constitucionais, Luís Eduardo não poderia deixar de conversar com o dono dos votos da bancada pepebista.
O encontro entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) irritou profundamente os tucanos, especialmente a bancada ligada ao governador Mário Covas. Preocupados com os efeitos políticos desta aproximação, já que o PPB de Paulo Maluf se prepara para derrotar Mário Covas no palanque para o governo de São Paulo no ano que vem, deputados criticaram a iniciativa de Fernando Henrique.
Pegou muito mal essa conversa com sede no Palácio da Alvorada, protestou um tucano amigo de Covas. Vice-líder do governo, o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) admitiu que o governo escolheu a hora errada para conversar com o ex-prefeito.


