FHC e governadores querem Covas na disputa
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sexta-feira, 16 de janeiro de 1998
Agência Estado Brasília 
Contra a paredeMário Covas: pressionado pelos tucanos a enfrentar uma disputa muito importante para o PSDBO presidente Fernando Henrique Cardoso, sete governadores do PSDB e os ministros tucanos estão empenhados em convencer o governador Mário Covas (SP) a disputar a reeleição. Encarregado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso de comandar a ofensiva, em nome do governo federal, o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, foi bem sucedido em sua primeira missão: convencer os tucanos paulistas do empenho de Fernando Henrique em favor de Covas. Ele relatou a operação à bancada durante um jantar, anteontem, em Brasília.
O presidente está conversando com todos os governadores do PSDB sobre suas próprias candidaturas e, especificamente, sobre o caso paulista. Ontem, ele recebeu os governadores de Minas, Eduardo Azeredo, e do Rio, Marcello Alencar. A última conversa será com o próprio Covas, mas só depois que estiverem consolidadas as condições políticas para que ele mude de posição e aceite a candidatura. Os dois se encontram hoje em São Paulo, durante almoço com a missão de empresários e dirigentes do Canadá em visita ao Brasil, mas avalia-se que a conversa não está madura ainda.
Marcello Alencar afirmou que os governadores do partido não vão permitir que Mário Covas não seja candidato. Ao sair do Itamaraty, onde participou do almoço do presidente Fernando Henrique com o governador-geral do Canadá, Romeo LeBlanc, Alencar disse que, no seu entender, Covas não escapará da influência dos governadores tucanos. Somos unânimes em exigir dele esse compromisso conosco, afirmou. No início, ele era contra o instituto da reeleição, mas, no nosso último encontro, já dizia que não é invulnerável às circunstâncias ou à conjuntura. O governador chegou a dizer que o presidente não abre a boca a não ser para elogiar Covas.
Estávamos todos muito ansiosos, mas o ministro tranquilizou a bancada, avaliou a deputada Zulaiê Cobra Ribeiro (PSDB-SP), uma das convidadas para o jantar que reuniu os deputados federais de São Paulo na noite de anteontem. Motta não negou os problemas entre os governos federal e paulista, mas tratou de minimizar as desavenças. Fernando e Mário convivem há muito tempo e sempre se acertaram; as coisas têm de ser resolvidas entre os dois, ponderou.
Motta falou durante cerca de uma hora sobre o governo federal, o PSDB em ano eleitoral e a sucessão paulista. O presidente está consciente de que a candidatura Covas é muito importante para o PSDB, para São Paulo e para o governo federal, assegurou o ministro, ao afirmar que o governador não está saneando as finanças do Estado para entregar o governo ao ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), e pôr tudo a perder.
A conclusão geral dos tucanos foi a de que Maluf no Palácio dos Bandeirantes seria um desastre para São Paulo e para Fernando Henrique. Até porque, se eleito governador, Maluf seria oposição a Fernando Henrique no dia seguinte à eleição, quando começaria sua campanha para o Palácio do Planalto, ponderou o deputado Alberto Goldman (PSDB-SP) na reunião.
Se tinhamos dúvida quanto à posição do presidente, ficou claro que Covas é o candidato de Fernando Henrique, o que o ministro colocou de forma categórica, avaliou o deputado Salvador Zimbaldi depois do jantar com Motta. Não existirão dois palanques do governo federal em São Paulo, garantiu Motta, ao relatar a conversa que tivera com o presidente na tarde do último domingo.


