Agência Estado
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Jogo duroVieira, Temer e Barbalho: líderes peemedebistas, cansados da espera, partem para a pressãoA cúpula do PMDB adotou uma estratégia de alto risco e desafiou o presidente Fernando Henrique Cardoso a governar sem o partido. O PMDB devolveu a FHC, oficialmente, a tarefa de escolher os ministros que seriam indicados pelo partido. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e os líderes do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), e no Senado, Jader Barbalho (PA), foram ao Palácio do Planalto e deram a notícia ao presidente. Depois, os líderes voltaram ao Congresso e leram a nota oficial nas tribunas da Câmara e do Senado.
A nota diz que as lideranças do PMDB ‘‘foram instadas’’ pelo presidente da República a indicar nomes de seus quadros para os ministérios da Justiça e dos Transportes. Acrescenta que, ‘‘no decorrer dos entendimentos, sua Excelência aventou, inclusive, a criação de um novo ministério a ser ocupado por integrante do PMDB’’. Depois, afirma que o PMDB, por meio de suas lideranças no Congresso, ‘‘resolveu devolver dita escolha para sua Excelência, com total liberdade, admitindo inclusive que os indicados não pertençam aos quadros do PMDB’’. Os líderes ressalvam na nota que a exclusão de peemedebistas do ministério não representaria ‘‘quaisquer prejuízos no relacionamento de colaboração e solidariedade sempre existentes’’.
Segundo a ‘‘Agência Folha’’ apurou junto a lideranças do PMDB, porém, o objetivo do partido é forçar FHC a uma decisão. Ou o presidente opta por governar com o PMDB e aceita as indicações de seus líderes ou assume o risco de governar sem o partido. O PMDB também avalia que o atraso nas nomeações acabou retirando poderes do futuro ministro dos Transportes.
Teria tido forte influência na escolha dos projetos o secretário-executivo do ministério, José Luiz Portela, homem de confiança do Planalto. O novo ministro terá que negociar alterações de projetos com o ministro Antônio Kandir (Planejamento), outro tucano. Apesar dessa limitação, Temer e Geddel querem a nomeação do deputado Eliseu Padilha (RS) para os Transportes. Também veriam com bons olhos a nomeação do deputado Aloysio Nunes Ferreira (SP) para a Justiça. As principais lideranças na Câmara já avisaram ao presidente que somente a nomeação de Padilha garantiria o apoio da bancada na Câmara. Temer vinculou a aprovação da reforma administrativa à entrega dos ministérios ao partido.
Deputados do PMDB que fazem oposição ao governo interpretam a ação dos líderes como uma ‘‘chantagem’’ com o presidente. Eles estariam usando a força da bancada para pressionar o presidente a nomear Padilha.

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