O presidente Fernando Henrique Cardoso e o primeiro-ministro do Canadá, Jean Chrétien, decidiram nomear um representante por governo para resolver o conflito comercial criado em torno da disputa entre os dois países no mercado de aviões. A decisão foi acertada ontem durante a visita da delegação de autoridades e empresários canadenses a São Paulo, afirmou Chrétien ao final do evento.
FHC e o primeiro-ministro do Canadá mantiveram ontem um encontro particular por aproximadamente meia hora, no qual ficou estabelecida a continuação das negociações sobre o conflito comercial entre os dois países. A empresa brasileira Embraer e a canadense Bombardier são concorrentes no mercado aeronáutico e trocam acusações de se beneficiarem de subsídios estatais.
Em dezembro a disputa ganhou força quando a Bombardier preteriu a Embraer em uma licitação internacional de US$ 90 milhões para a compra de jatos. Os jatos seriam usados em uma operação de treinamento militar da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). A disputa entre as empresas ameaça adiar a assinatura do acordo de cooperação e investimentos entre o Mercosul e o Canadá, que estava prevista para acontecer na próxima semana em Buenos Aires. A Argentina é a escala seguinte da missão canadense, que conta com mais de 400 empresários e autoridades. O grupo, chamado de ‘‘Team Canada’’ (equipe Canadá), já esteve no México.
O primeiro-ministro do Canadá deixou o encontro em São Paulo afirmando que não sabia dizer se o acordo com o Mercosul seria assinado em Buenos Aires. ‘‘As negociações sobre o caso vão continuar, mas não podemos parar um processo porque duas empresas estão brigando no mesmo mercado, cada uma usando armas que a outra não aceita’’, declarou Chrétien. Segundo ele, a conversa com o presidente Fernando Henrique Cardoso foram ‘‘amigáveis’’ e um novo contato entre os dois governos, para a comunicação do nome do negociador de cada um, deverá ocorrer na próxima semana.
O presidente brasileiro garantiu que quer o prosseguimento do acordo do Mercosul com o governo canadense. Fernando Henrique disse que uma disputa entre duas empresas comerciais não poderia prejudicar a relação diplomática entre os dois países. ‘‘Já tivemos dificuldades e continuaremos a ter, mas entre empresas e não entre governos’’, declarou o presidente brasileiro.

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