O encontro entre os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Fernando de la Rúa com o primeiro-ministro inglês Tony Blair, em Foz do Iguaçu, foi marcado por passeios, troca de elogios, apoio às mudanças na política econômica argentina e protestos contra a ‘‘política neoliberal’’ dos três governantes progressistas.
Enquanto FHC e Blair, juntamente com suas esposas, percorriam as passarelas das Cataratas do Iguaçu durante a manhã, cerca de 200 pessoas bloquearam o trevo de entrada do Parque Iguaçu e da aduana argentina, paralisando o trânsito da Rodovia das Cataratas por uma hora. A intenção do grupo era impedir a passagem de FHC e Blair, no momento em que eles visitariam a Hidrelétrica de Itaipu. Os dois, no entanto, decidiram conhecer a usina de helicóptero.
Depois de percorrerem as instalações da maior hidrelétrica do mundo, FHC e Blair voltaram ao Hotel das Cataratas para recepcionar o presidente argentino Fernando de la Rúa, perto do meio-dia. Eles conversaram a portas fechadas durante uma hora e em seguida fizeram um pronunciamento rápido à imprensa.
Durante 16 minutos, os três reinteraram o apoio total aos ajustes econômicos impostos pelo ministro argentino Domingo Cavallo e citaram ainda as belezas naturais da tríplice fronteira como a melhor referência para relembrar o protocolo assinado em Kyoto, de conservação, desenvolvimento sustentável e redução da emissão de gases poluentes na atmosfera. ‘‘O Parque Iguaçu é binacional e um patrimônio da humanidade. Acho este local bastante adequado para reafirmarmos nosso compromisso com as questões ambientais do planeta’’, salientou Fernando Henrique. Sobre a crise no país vizinho, FHC disse apenas ter a ‘‘convicção de que a Argentina possui condições de superar a crise’’.
O premier elogiou o Parque Iguaçu (refúgio biológico com 185 mil hectares) e também Itaipu (que produz 25% da energia usada pelo Brasil, ou seja, 12,6 megawatts), dizendo serem ‘‘belas imagens que ficarão na memória por muitos anos’’, e ratificou ainda o total apoio ao programa socioeconômico da Argentina. ‘‘Apóio o plano de reformas e espero que o mundo também faça o mesmo’’, concluiu Blair.
Já De la Rúa agradeceu ‘‘o prazer de estar entre os governos progressistas do mundo’’ e garantiu que os problemas internos do seu país são passageiros. ‘‘Passamos por uma situação transitória e perfeitamente superável. Este encontro de três amigos, com o Brasil ao centro, representa a fraternidade entre os povos e um apoio importante para nós’’, discursou o argentino.
Depois do pronunciamento, Blair seguiu até Puerto Iguazú (distante 10 quilômetros de Foz), acompanhado de De la Rúa. Blair voltou a Foz por volta das 18 horas, onde descansou com a esposa Cherie até às 19 horas. A comitiva embarcou em um avião da British Airways, seguindo para São Paulo.
Enquanto esteve em solo brasileiro, Blair elogiou bastante o ‘‘companheiro’’ Fernando Henrique e destacou as mudanças rápidas que vêm ocorrendo no País nas últimas duas décadas. ‘‘O Brasil saiu de uma ditadura para uma democracia em apenas 20 anos. Para quem vê de fora, as mudanças neste período são consideráveis. Este é um país de superlativos’’, concluiu o premier britânico.

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