FHC e Blair apóiam ajustes na Argentina
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quarta-feira, 01 de agosto de 2001
Emerson Dias<BR>De Foz do Iguaçu 
O encontro entre os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Fernando de la Rúa com o primeiro-ministro inglês Tony Blair, em Foz do Iguaçu, foi marcado por passeios, troca de elogios, apoio às mudanças na política econômica argentina e protestos contra a política neoliberal dos três governantes progressistas.
Enquanto FHC e Blair, juntamente com suas esposas, percorriam as passarelas das Cataratas do Iguaçu durante a manhã, cerca de 200 pessoas bloquearam o trevo de entrada do Parque Iguaçu e da aduana argentina, paralisando o trânsito da Rodovia das Cataratas por uma hora. A intenção do grupo era impedir a passagem de FHC e Blair, no momento em que eles visitariam a Hidrelétrica de Itaipu. Os dois, no entanto, decidiram conhecer a usina de helicóptero.
Depois de percorrerem as instalações da maior hidrelétrica do mundo, FHC e Blair voltaram ao Hotel das Cataratas para recepcionar o presidente argentino Fernando de la Rúa, perto do meio-dia. Eles conversaram a portas fechadas durante uma hora e em seguida fizeram um pronunciamento rápido à imprensa.
Durante 16 minutos, os três reinteraram o apoio total aos ajustes econômicos impostos pelo ministro argentino Domingo Cavallo e citaram ainda as belezas naturais da tríplice fronteira como a melhor referência para relembrar o protocolo assinado em Kyoto, de conservação, desenvolvimento sustentável e redução da emissão de gases poluentes na atmosfera. O Parque Iguaçu é binacional e um patrimônio da humanidade. Acho este local bastante adequado para reafirmarmos nosso compromisso com as questões ambientais do planeta, salientou Fernando Henrique. Sobre a crise no país vizinho, FHC disse apenas ter a convicção de que a Argentina possui condições de superar a crise.
O premier elogiou o Parque Iguaçu (refúgio biológico com 185 mil hectares) e também Itaipu (que produz 25% da energia usada pelo Brasil, ou seja, 12,6 megawatts), dizendo serem belas imagens que ficarão na memória por muitos anos, e ratificou ainda o total apoio ao programa socioeconômico da Argentina. Apóio o plano de reformas e espero que o mundo também faça o mesmo, concluiu Blair.
Já De la Rúa agradeceu o prazer de estar entre os governos progressistas do mundo e garantiu que os problemas internos do seu país são passageiros. Passamos por uma situação transitória e perfeitamente superável. Este encontro de três amigos, com o Brasil ao centro, representa a fraternidade entre os povos e um apoio importante para nós, discursou o argentino.
Depois do pronunciamento, Blair seguiu até Puerto Iguazú (distante 10 quilômetros de Foz), acompanhado de De la Rúa. Blair voltou a Foz por volta das 18 horas, onde descansou com a esposa Cherie até às 19 horas. A comitiva embarcou em um avião da British Airways, seguindo para São Paulo.
Enquanto esteve em solo brasileiro, Blair elogiou bastante o companheiro Fernando Henrique e destacou as mudanças rápidas que vêm ocorrendo no País nas últimas duas décadas. O Brasil saiu de uma ditadura para uma democracia em apenas 20 anos. Para quem vê de fora, as mudanças neste período são consideráveis. Este é um país de superlativos, concluiu o premier britânico.


