O presidente Fernando Henrique Cardoso gastou cerca de cinco segundos ontem para votar. Ao contrário do primeiro turno, FHC não deu nenhuma declaração sobre o seu voto, embora tenha feito campanha para o tucano Mário Covas, governador licenciado e candidato à reeleição. Ao chegar à Escola Estadual Alberto Levy, na avenida Indianópolis (Planalto Paulista, zona Sudoeste), às 12h15, FHC foi recebido por aplausos e vaias.
Os aplausos vieram de uma maioria das mais de 200 pessoas que o aguardavam no local. As vaias vieram de um pequeno grupo. ‘‘Vendido! Ladrão!’, gritava insistentemente o estudante de direito Fábio Miranda, 20. ‘‘Sou petista roxo’’, afirmou o estudante, que liderava um pequeno grupo.
No coro dos aplausos havia muitas mulheres. ‘‘Fiquei esperando para ver se ele ainda está ótimo!’, afirmou Tereza Maria de Freitas, 62, secretária, moradora próxima à escola e que conhece FHC ‘‘do bairro’’ desde 1984. ‘‘Fazemos voto para que ele seja iluminado. Não é fácil conduzir o Brasil’’, disse a dona de casa Antonieta de Oliveira, 66, que ficou quase uma hora em pé, ao lado de uma corda de isolamento, para ver FHC por trás de um vidro.
Na noite de anteontem, FHC ficou durante uma hora e meia visitando o pavilhão da 24ª Bienal de São Paulo, no parque do Ibirapuera. Aos jornalistas, evitou de falar sobre o pacote de ajuste fiscal durante a visita. ‘‘Hoje, só arte’’, afirmou.
Na saída, FHC disse que ‘‘os trabalhadores do Brasil não têm que se preocupar’’ com um possível aumento do desconto da alíquota da Previdência. ‘‘Eles, os mais pobres e assalariados, realmente já pagam o correspondente ao que têm que pagar para as suas aposentadorias, que são pequenas.’’ Mas, logo ao chegar à Bienal, FHC disse aos empresários que integram o conselho curador da Bienal que eles se preparassem para tempos difíceis. ‘‘Olha, os empresários têm que se preparar para o ajuste fiscal, que vai cortar uma parte das receitas deles’’, teria dito FHC segundo versão do empresário Olavo Setúbal, do banco Itaú.
Ainda segundo Setúbal, o presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Júlio Landman, reclamou na hora. ‘‘Mas nós precisamos de dinheiro. A Bienal está com problemas’’. Nem FHC nem os demais empresários falaram nada. ‘‘Quem cala está fugindo’’, completou Setúbal. Depois de visitar a Bienal, FHC foi até o Museu de Arte Moderna, também localizado no Ibirapuera. Lá, foi recebido pelo empresário Benjamin Steinbruck, da Vale do Rio Doce. O presidente ficou meia hora visitando uma exposição de arte construtiva. Em seguida, às 21h10, FHC e a mulher seguiram para o apartamento do empresário Olavo Setúbal.Agência EstadoFHC: ‘‘Os empresários têm que se preparar para o ajuste fiscal’’William França
Agência Folha

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