FHC diz que taxa de juro é assunto técnico
Das Agências
De Lima
O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que o governo não vai atuar politicamente sobre as taxas de juros e evitou fazer prognósticos sobre o comportamento desses índices nos próximos meses, embora tenha reafirmado que o desejo é que as taxas continuem caindo. Essa matéria é técnica, resumiu ele. Na avaliação do presidente, a confiança de que haverá continuidade na redução das taxas vem do trabalho que está sendo feito e depende em grande parte do Congresso, como na aprovação da Lei de Responsabiidade Fiscal e da reforma fiscal.
FHC não quis também adiantar o comportamento da próxima reunião do Comitê de Política Econômica (Copom). O mercado avalia que o comitê pode interromper a trajetória de queda nos juros. Eu não sei quais as considerações técnicas que o Copom vai ter na data em que ele se reunir. Daqui até lá, vamos examinar o que vai acontecer na conjuntura nacional e internacional, mas o propósito explícito do governo é o da continuação de queda da taxa de juros, sem a interferência política, afirmou.
No segundo e último dia em visita ao Peru, ontem, o presidente Fernando Henrique e o presidente peruano, Alberto Fujimori, assinaram o Plano de Ação de Lima, um conjunto de ações de integração na área comercial, econômica, jurídica e de cooperação científica.
Foram firmados oito acordos nessas áreas, o mais importante de vigilância de fronteiras e cooperação judiciária para o combate ao contrabando e ao narcotráfico. Pelo acordo, os governos brasileiro e peruano poderão solicitar quebra de sigilo bancário e interceptação telefônica de suspeitos que estejam no outro país. O presidente brasileiro homenageou o colega peruano com a Ordem do Rio Branco.
FHC repetiu ainda as afirmações do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, de que o aumento da inflação, por causa da elevação das tarifas públicas, não viria a interferir na trajetória descendente da taxa de juros.
Vi declarações do presidente do BC de que esse aumento é um soluço e que, portanto, não prejudicaria essa trajetória, afirmou FHC. O avanço nas reformas é o componente estrutural mais importante para que, no futuro, nós possamos manter uma taxa de juros civilizada e aceitável, disse o presidente.
O nosso problema número um é a normalização do Orçamento, que tem um déficit grande compensado pelo esforço enorme que o governo tem feito de cortar gastos que são importantes, como os de investimento, afirmou o presidente.





