O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que o ministro da Saúde, José Serra, permanecerá no mesmo cargo, a partir de janeiro, quando começa seu segundo mandato. Serra é o terceiro ministro a ter seu nome assegurado para permanecer no governo. Fernando Henrique já havia confirmado o ministro Pedro Malan, na Fazenda, e Paulo Renato, da Educação. O presidente confirmou ainda o nome de Gustavo Franco à frente do Banco Central.
Ontem, durante solenidade de anúncio dos resultados da campanha do Ministério da Saúde de prevenção de câncer no colo do útero, Fernando Henrique elogiou a atuação de José Serra. Segundo o presidente, uma área tão delicada, como a saúde, que sempre foi objeto de críticas, começa a ter reconhecimento de que os esforços estão dando resultado.
Em seguida, o presidente disse que o ministro, ‘‘nos próximos passos que dará no Ministério’’, vai, com esse mesmo empenho, levar adiante campanhas relativas a uma vida mais saudável, sobre a alimentação, o tabagismo, a questão do álcool e a necessidade de exercícios físicos, temas da campanha ‘‘Câncer: você pode prevenir’’ do ano que vem. Ao final da cerimônia, indagado se as suas afirmações significavam a confirmação de Serra no cargo, no próximo mandato, o presidente reagiu: ‘‘Vocês não ouviram o que eu disse aqui?’’, disse.
Ao dizer que Serra estava imprimindo um caráter ‘‘muito inovador’’ à gestão da saúde, o presidente ironizou: ‘‘Só tenho medo que ele comece a diagnosticar. Vi, outro dia, que ele disse que não era hipocondríaco e fiquei surpreso’’, comentou Fernando Henrique, avisando, no entanto, que em outro dia Serra havia lhe levado remédios. ‘‘De modo que a única preocupação que tenho é que essa adesão tão extraordinária de um economista à saúde resulte em um desastre, do ponto de vista pessoal, que ele se transforme em um mau médico’’, disse o presidente. ‘‘Mas, se for mau médico e um bom ministro, acho que vale a pena.’’
O presidente elogiou ainda a insistência com que Serra se empenha nas questões, não abandonando os problemas até que eles sejam resolvidos. Ao final da cerimônia, Serra negou que tenha receitado remédios para o presidente e que seja ele hipocondríaco. ‘‘Há uma polêmica com o presidente da República sobre quem é o hipocondríaco’’, disse.
Mais tarde, Fernando Henrique, ao receber os representantes da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em seu gabinete, reclamou do excesso de trabalho. Ele queixou-se do grande número de pessoas que o cercam e do assédio que sofre, mesmo em sua fazenda (em Buritis-MG). ‘‘Às vezes me sinto como um bibelô bem protegido’’, afirmou. Para o presidente, o problema é que ele ‘‘se vê obrigado a resolver os problemas existentes e os criados’’.José Paulo Lacerda/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Cadeira garantidaFernando Henrique e Serra, ontem no Planalto: elogios ao ministro pelo ‘‘bom trabalho’’Tânia Monteiro
Agência Estado

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