France PresseNa ItáliaO presidente Fernando Henrique Cardoso recebe as honras, ao lado do presidente italiano Oscar Scalfaro Ao explicar a empresários italianos as reformas econômicas em andamento no Brasil, o presidente Fernando Henrique Cardoso garantiu que não haverá mudanças no câmbio, durante discurso em que repetiu os números que mostram o crescimento da economia brasileira. ‘‘Não pretendemos voltar ao círculo vicioso desvalorização-inflação que tão perversamente marcou nossa história recente’’, disse.
Mais tarde, numa entrevista em frente à Embaixada do Brasil, o presidente precisou voltar ao assunto e referiu-se ao câmbio logo depois de ter admitido, na Confederação das Indústrias Italianas (Cofindustria), que o crescimento das exportações em 1996 foi de 2,6%, ‘‘cifra que consideramos insuficiente.’’ O mau desempenho da balança comercial brasileira - em 1996 o déficit foi de US$ 5,5 bilhões - é um dos fatores que contribui para as especulações de que o governo poderia alterar o sistema cambial.
‘‘Estamos mudando a produtividade e aumentando os financiamentos, esta é a maneira efetiva de melhorar as exportações’’, disse o presidente, à tarde, insistindo que não está prevista nenhuma mudança. ‘‘Mexer no câmbio é a maneira mais fácil, que dá maus resultados para o povo porque você vai ter dificuldade de importar máquinas e, portanto, no futuro você vai ter menos produção’’, reforçou.
Ao mesmo tempo em que assegurou que não vai alterar o câmbio, um tema que os investidores acompanham muito de perto, Fernando Henrique também sinalizou que terá apoio no Congresso parlamentar para aprovar as reformas na Constituição. ‘‘Estamos organizando a nossa maioria a favor das reformas’’, declarou, em resposta a uma pergunta sobre como o governo pretende aumentar a poupança interna, que depende da aprovação das reformas.
O presidente, que somente conversou com a imprensa em uma tumultuada entrevista em frente ao Palácio Pamphili (sede da Embaixada), não explicou quantos parlamentares integram a maioria à qual se referiu. Mas, na votação em primeiro turno na Câmara da emenda que permite a sua reeleição, o governo conseguiu o apoio de 336 deputados entre os sete partidos que compõem a base aliada, depois de uma ofensiva do comando político do governo para aprovar a proposta.
As mudanças que as reformas econômicas possibilitarão ao Brasil têm sido a tônica dos discursos do presidente nesta sua viagem à Inglaterra, Itália e ao Vaticano. Aos italianos, como havia feito segunda-feira em Londres, o presidente mostrou a situação da economia no País depois do Plano Real. A taxa de crescimento em 1997 deverá ser entre a 4 a 5% e o Produto Interno Bruto (PIB) deverá atingir US$ 800 bilhões até o final do ano. A inflação, garantiu Fernando Henrique, continuará a ter trajetória descendente. Em 1996, pela primeira vez em 50 anos, ficou em menos de 10%.

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