O presidente Fernando Henrique Cardoso deixou claro ontem que não considera o apoio explícito à reeleição do candidato tucano Mário Covas ao governo de São Paulo uma ‘‘ingratidão’’ para com o adversário, o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). Por intermédio do porta-voz, embaixador Sérgio Amaral, Fernando Henrique afirmou ser grato a Maluf e a todos os aliados que trabalharam pela aprovação das reformas no Congresso.
Segunda-feira, em São Paulo, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), criticou o apoio de vários ministros do governo a Covas e afirmou que Fernando Henrique não poderia ser ingrato com Maluf, que o apoiou na votação das reformas constitucionais.
‘‘O presidente, evidentemente, é grato a todos que apoiaram as medidas que são de interesse do País’’, afirmou. ‘‘Com relação a São Paulo, o presidente já se posicionou, não há novidade’’, acrescentou Amaral, lembrando que o presidente votará em Covas no segundo turno das eleições.
Amaral foi evasivo quando os jornalistas perguntaram se o apoio a Covas era uma ingratidão para com Maluf. ‘‘O presidente é grato a todos aqueles que apoiaram, mas, no caso em que há uma eleição em que disputam dois representantes da base, ele é grato aos dois’’, afirmou. Os jornalistas insistiram, então, que o peso da gratidão neste caso favorecia Covas. ‘‘(Em São Paulo) tem um candidato do PSDB, e o presidente já manifestou a posição que é conhecida: o voto dele em São Paulo é do governador Mário Covas’’, justificou.
Al Capone Maluf recorreu ontem ao assalto ao cofre de penhor da CEF (Caixa Econômica Federal) em São Paulo para criticar a política de segurança de seu adversário, o governador licenciado Mário Covas (PSDB). ‘‘Aqui está uma Chicago dos anos 30. A Chicago de Al Capone’’, disse. No último sábado, cerca de 15 assaltantes armados levaram objetos e jóias que estavam penhorados no cofre da CEF. Maluf tentou dar um ar emocional ao caso. ‘‘A última coisa que alguém vai penhorar é uma coisa que o marido lhe deu há 50 anos’’, disse. ‘‘É por isso que o Covas vai perder a eleição’’, acrescentou.
Pesquisas qualitativas dos marqueteiros de Maluf apontam que, a cada episódio violento que ganha destaque na mídia, a credibilidade de Covas seria abalada. Maluf explorou ontem o que poderia ser chamado de inversão de papéis. ‘‘Antigamente a polícia caçava os ladrões. Hoje os ladrões caçam a polícia e invadem delegacias’’, afirmou.
Na sessão de ontem de críticas a seu adversário na disputa de domingo, Maluf classificou de ‘‘eleitoreiro’’ o provável anúncio da redução de 20% no pedágio cobrado em São Paulo para veículos de carga. ‘‘Pensam que o povo é bobo. Vão fazer um acordo por 120 dias. Só com Maluf é que vai baixar para sempre’’, afirmou.
Maluf, apesar de não ter dito publicamente, não está gostando do engajamento de ministros tucanos na campanha de Covas. Reafirmou o apoio às reformas defendidas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, mas fez a ressalva. ‘‘Não vou permitir que ministro nenhum venha colocar São Paulo de joelhos, como aconteceu com Mário Covas’’, disse. Na tentativa de provar a diagnosticada subserviência de Covas, Maluf fez um discurso que, em algumas passagens, lembrou o petismo. ‘‘Covas entregou todo o patrimônio de São Paulo e dobrou a dívida do Estado. Com Paulo Maluf isso não aconteceria’’, declarou. Entre os atos que, no entender do pepebista, foram ‘‘impingidos’’ ao tucano foram citadas as privatizações da Eletropaulo e da CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz). (Colaborou Carlos Eduardo Alves/Agência Folha)

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