Gerson Camarotti
Agência Estado
De Brasília
Após mais de três horas reunido com seus 25 ministros e líderes no Congresso, o presidente Fernando Henrique Cardoso fez ontem um apelo dramático ao seu primeiro escalão. FHC encerrou o encontro afirmando: ‘‘Estamos numa guerra, quero os ministros guerreiros, dispostos à guerra’’, avisou. ‘‘Que venham à batalha e ganhem.’’ O presidente cobrou dos ministros que se exponham mais na defesa das ações do governo e estabeleceu uma agenda para o segundo semestre, delegando responsabilidades a cada um. ‘‘As pessoas têm de expor-se mais, ser guerreiras; estamos aqui para mudar o Brasil.’’
Na tentativa de calar, mais uma vez, os ataques ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, o presidente tomou para si toda a responsabilidade pela política econômica do governo. ‘‘Eu não apóio o Malan, mas sim a política em que acredito’’, afirmou.
Ele fez uma referência indireta à saída do ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Clóvis Carvalho do governo. ‘‘Pago o preço de cortar amigos e a solidão de conviver com as escolhas’’, disse o presidente. ‘‘O que fazer senão manter as escolhas, apelar para as armas?’’, emendou. ‘‘Não, nosso caminho é a democracia’’, respondeu. ‘‘Vamos ganhar, aqui não tem ladrão, eu vou sem temer.’’
Falando de improviso, Fernando Henrique também mandou recado aos líderes aliados. ‘‘Aos líderes, não posso convocar, mas posso esperar apoio’’, frisou. ‘‘Partido aliado é para apoiar e eu me refiro inclusive ao meu próprio partido’’, acrescentou, estendendo o pito ao PSDB.
O presidente voltou a cobrar o fim das divergências públicas entre os ministros. ‘‘Esses bate-bocas públicos são estéreis; não quero mais divergências para fora’’, avisou, lembrando que essas brigas fortalecem a oposição. Ele voltou a atacar os adversários: ‘‘A oposição perdeu não só o rumo, mas também a cabeça’’, disse. ‘‘Estão discutindo se paga ou não a dívida externa, e se fala também em fechar o Congresso, eles estão voltando 30 anos atrás.’’
Na abertura da reunião ministerial, FHC disse que o Programa Avança Brasil e o Orçamento da União para 2000 são compatíveis, na medida em que o segundo engloba os programas listados no primeiro. O presidente ressaltou ainda que todo o ministério estará engajado na condução dos programas do Avança Brasil.
Após o discurso, FHC, dando início à parte reservada da reunião, afirmou que cada um dos programas do Avança Brasil terá ‘‘um gerente forte, mas isso não quer dizer que a autoridade dos ministros será posta à margem’’.
Outro compromisso reassumido pelo presidente Fernando Henrique durante o discurso na reunião ministerial de ontem, foi o de buscar reduzir as taxas de juros oferecidas às empresas e às pessoas físicas. O presidente também disse, no discurso, que não teme pedir novamente apoio ao Congresso para aprovar a Lei de Responsabilidade Fiscal, a reforma tributária, as leis complementares para a Previdência além do Avança Brasil e do Orçamento para 2000. Segundo ele, o cronograma para votação dessas leis está nas mãos do Congresso.Presidente desafia ministros a se integrarem à luta pela transformação do Brasil: ‘‘Que venham à batalha e ganhem’’
Roberto Barroso/Agência BrasilFUTUROFHC discursa durante a reunião com ministros: Programa Avança Brasil ‘‘é o roteiro para o reencontro do povo brasileiro com a esperança’’.

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