O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que o Brasil quer ‘‘mãos limpas’’, numa referência à operação que na Itália levou centenas de pessoas à cadeia por envolvimento em atos de corrupção. ‘‘O Brasil agora quer mãos limpas, quer decência, quer que em cada ação do governo se pergunte quantos empregos irá gerar e se vai para os ricos ou para os pobres’’, disse em discurso inflamado, feito em fazenda beneficiada com luz elétrica no interior de Goiás.
Ele confirmou a decisão de cortar verbas orçamentárias para obras irregulares, mesmo diante da resistência da base aliada no Congresso. Fernando Henrique disse que o Executivo não irá assumir responsabilidades que não são suas. ‘‘O governo federal acaba pagando o pato dos erros que não são cometidos pelo Executivo. Agora acabou isso: obra irregular, verba suspensa.’’
O governo Fernando Henrique foi acusado de liberar verbas para a obra superfaturada do TRT-SP, mesmo depois que ela foi colocada sob suspeição pelo Tribunal de Contas da União. Segundo Fernando Henrique, o Congresso possui mecanismos que permitem a retomada da obra depois de regularizada.
Ontem, para uma platéia de cerca de 8 mil goianos, levados à fazenda Palmeira em 120 ônibus, o presidente disse lutar pela ‘‘reconstrução institucional’’ do Brasil. Fernando Henrique revelou suas dúvidas de que o País superasse, primeiro, os problemas da ‘‘inflação galopante’’ e depois as crises econômicas que culminaram com a desvalorização do real. ‘‘Hoje ninguém tem o direito de duvidar desse País, desse povo, que vai continuar crescendo’’, discursou. ‘‘Temos que construir as bases de uma sociedade coesa, de uma sociedade decente, de uma sociedade em que todos tenham o pão’’, disse, acrescentando: ‘‘De uma sociedade em que o pão não suba de preço e que efetivamente as pessoas possam saber que seus filhos terão escola, seus filhos terão hospital.’’
Como parte da fiscalização do uso de verbas públicas, FHC pretende visitar regularmente obras que estão sendo executadas pelo governo em todo o País. Segundo um assessor, serão feitas pelo menos três visitas ao local: no início da obra, uma visita de inspeção e, por último, na inauguração.
Ontem, antes de ir a Palmeiras inaugurar obras de eletrificação rural, o presidente fez a ‘‘inspeção’’ das obras de duplicação da rodovia que liga Brasília a Anápolis (GO). ‘‘Várias obras serão inspecionadas pessoalmente pelo presidente’’, disse o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha.

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