FHC diz que Barros está prestigiado
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sábado, 21 de novembro de 1998
Agência Estado 
O governo negou ontem, em Brasília, que vá demitir o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, por conta das gravações de conversas suas durante o processo de privatização da Telebrás. O presidente recorda que foi reeleito pela maioria absoluta do povo brasileiro e que a decisão sobre a designação de ministros é responsabilidade pública e política dele, disse o porta-voz adjunto do Planalto, Georges Lamaziére. Sobre a criação do Ministério da Produção, que deveria ser ocupado por Mendonça de Barros, disse que é uma questão para ser tratada mais tarde.
Georges Lamaziére admitiu que o ministro das Comunicações pediu demissão do cargo, na quinta-feira à tarde, após o final do seu depoimento no Senado. Segundo Lamaziére, foi o presidente que telefonou para o ministro. O ministro Mendonça de Barros disse que quer ajudar ao governo, que não gostaria de ser nenhum embaraço para o governo, nem empecilho, nem criar constrangimento, comentou o porta-voz, esclarecendo que, em seguida, Fernando Henrique elogiou a sua atuação no Senado.
Sobre as pressões que estão sendo feitas pela base governista, particularmente pelo PMDB, para que Mendonça de Barros deixe o governo, o porta-voz destacou que realmente alguns líderes fizeram ponderações, mas não houve um pedido oficial dos partidos de demissão dele. Lamaziére acrescentou que a convocação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a venda das empresas do sistema Telebrás foi descartada pela base governista.
Enquanto a palavra oficial era de que o presidente Fernando Henrique Cardoso iria manter seu auxiliar, os bastidores indicavam que o caso está complicado para Mendonça. Em política não se projeta, analisava um influente auxiliar de Fernando Henrique, sem esconder a preocupação. A avaliação no Planalto é de que tecnicamente o depoimento de Mendonça de Barros no Senado foi bom. Agora a guerra é política, completou o assessor.
Está cada vez mais claro para o presidente que interessa politicamente ao Congresso a saída de Mendonça de Barros do governo. Por Congresso, entenda-se os dois maiores partidos da base aliada: PFL e PMDB. Isso ficou claro com a repercussão negativa do depoimento do ministro ontem na imprensa. Há quem aposte que o ministro não ficará no cargo por mais de duas semanas.
Apesar das críticas explícitas de integrantes do PMDB e do PFL, o que mais incomodou os tucanos próximos de Fernando Henrique foi o silêncio do maior cacique do PFL: o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (BA). E passaram a defender Mendonça de Barros. O temor dos tucanos é de que a imagem do partido fique arranhada se o ministro for demitido.
O cenário entre os partidos aliados do governo é de uma guerra pelo poder. No centro da questão está a criação do superministério da Produção, que seria entregue para Luiz Carlos Mendonça de Barros. A única coisa certa é que por enquanto a criação desta pasta fica adiada. Ontem, um alto dirigente tucano não escondia a insatisfação causada com o bombardeio feito pelo PFL e PMDB contra Mendonça de Barros. Pelo menos dessa vez ficaram as digitais, disse o tucano.
Caso o assunto continue ocupando a mídia com a mesma intensidade dos últimos dias, a situação ficará insustentável. Um ministro que conversou ontem com o presidente ouviu o próprio Fernando Henrique dizer que estava disposto a barrar qualquer tentativa dos aliados para tirar Mendonça de Barros. Mas esse mesmo ministro perguntava-se até quando o presidente aguentaria esta pressão. Para o governo, essa questão tornou-se um ponto crucial para afirmação da autoridade do presidente nos próximos quatro anos. Afinal, ele vai ficar refém de todos no próximo governo?, perguntava um assessor.


