No primeiro discurso como presidente reeleito, Fernando Henrique Cardoso agradeceu ontem os votos recebidos, disse que o momento é de ‘‘diálogo e solidariedade’’ e cobrou da oposição respeito ao resultado das urnas. Durante cerca de 40 minutos, o presidente fez um balanço político das eleições e da crise internacional, e deixou claro que as medidas de ajuste fiscal, a ser apresentadas até o dia 20, serão austeras e poderão incluir até mesmo aumento de impostos.
FHC avisou ainda que vai exigir dos governadores o rigoroso cumprimento dos contratos assinados com o governo federal. ‘‘Acabou a época no Brasil de se fazer acordo para não cumprir’’, declarou ele, salientando que honrar contratos faz parte ‘‘da ética democrática e da necessidade do ajuste das contas’’.
Fernando Henrique anunciou que vai criar um órgão ou um ministério que coordene a produção nacional e vai criar uma espécie de ‘‘circuit breaker’’ para ser acionado sempre que os governos estaduais ultrapassarem um determinado limite nos seus gastos.
FHC espera que no ano que vem o País disponha de um regime fiscal ‘‘ajustado à nova realidade’’, para que os gastos do governo ‘‘não pressionem o sistema financeiro’’, as taxas de juros caiam e o País volte a ter ‘‘um crescimento sustentado’’. Ele anunciou também a eliminação de ‘‘brechas à sonegação’’ e o aumento do número dos que pagam impostos para que o peso do ajuste não recaia sobre os assalariados e o setor produtivo. ‘‘Muitos que deveriam pagar não pagam e outros pagam demasiado’’, declarou o presidente.
Dizendo-se emocionado por ter obtido mais quatro anos de mandato, FHC afirmou que se empenhará para que o Congresso termine de votar a reforma da Previdência, aprove leis complementares para viabilizar a reforma administrativa e aprove as reformas tributária e política.
‘‘Como presidente da República e com o respaldo da imensa maioria do eleitorado, lutarei até o fim para consegui-las (as reformas) e peço à sociedade que apóie porque as reformas são essenciais para a tranquilidade do País e manutenção da estabilidade econômica’’, disse.
Para o presidente, ‘‘o Brasil precisa hoje ter uma oposição que discuta, uma oposição que aceite o resultado das urnas e respeite o povo’’. Ele rebateu críticas feitas pela oposição ao dizer que ‘‘erram os que pensam que agora é a hora do mercado e que isso significa dizer que não é mais hora do social’’. ‘‘Vão ficar falando sozinhos’’, disse.

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