FHC diz que ajuste fiscal será austero
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quarta-feira, 07 de outubro de 1998
Tânia Monteiro e Isabel Braga Agência Estado 
No primeiro discurso como presidente reeleito, Fernando Henrique Cardoso agradeceu ontem os votos recebidos, disse que o momento é de diálogo e solidariedade e cobrou da oposição respeito ao resultado das urnas. Durante cerca de 40 minutos, o presidente fez um balanço político das eleições e da crise internacional, e deixou claro que as medidas de ajuste fiscal, a ser apresentadas até o dia 20, serão austeras e poderão incluir até mesmo aumento de impostos.
FHC avisou ainda que vai exigir dos governadores o rigoroso cumprimento dos contratos assinados com o governo federal. Acabou a época no Brasil de se fazer acordo para não cumprir, declarou ele, salientando que honrar contratos faz parte da ética democrática e da necessidade do ajuste das contas.
Fernando Henrique anunciou que vai criar um órgão ou um ministério que coordene a produção nacional e vai criar uma espécie de circuit breaker para ser acionado sempre que os governos estaduais ultrapassarem um determinado limite nos seus gastos.
FHC espera que no ano que vem o País disponha de um regime fiscal ajustado à nova realidade, para que os gastos do governo não pressionem o sistema financeiro, as taxas de juros caiam e o País volte a ter um crescimento sustentado. Ele anunciou também a eliminação de brechas à sonegação e o aumento do número dos que pagam impostos para que o peso do ajuste não recaia sobre os assalariados e o setor produtivo. Muitos que deveriam pagar não pagam e outros pagam demasiado, declarou o presidente.
Dizendo-se emocionado por ter obtido mais quatro anos de mandato, FHC afirmou que se empenhará para que o Congresso termine de votar a reforma da Previdência, aprove leis complementares para viabilizar a reforma administrativa e aprove as reformas tributária e política.
Como presidente da República e com o respaldo da imensa maioria do eleitorado, lutarei até o fim para consegui-las (as reformas) e peço à sociedade que apóie porque as reformas são essenciais para a tranquilidade do País e manutenção da estabilidade econômica, disse.
Para o presidente, o Brasil precisa hoje ter uma oposição que discuta, uma oposição que aceite o resultado das urnas e respeite o povo. Ele rebateu críticas feitas pela oposição ao dizer que erram os que pensam que agora é a hora do mercado e que isso significa dizer que não é mais hora do social. Vão ficar falando sozinhos, disse.


