FHC diz que ainda não é candidato
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sexta-feira, 24 de outubro de 1997
Das agências Uberlândia, Madri e Porto Alegre 
France PresseMaciel e Juan Carlos I: carta de FHC e proposta de reeleiçãoO presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que ainda não é candidato. Ele negou que o fato de estar inaugurando obras ainda não concluídas e mesmo que não receberam recursos federais caracterize campanha pela reeleição. Campanha, que campanha? Eu não sou candidato, ainda. Campanha são vocês (os jornalistas) que fazem, disse FHC, entre gargalhadas, tendo ao lado o governador de Minas, o tucano Eduardo Azeredo.
Ele se negou a comentar candidaturas. Vim aqui tratar de outras coisas, respondeu. Nem mesmo deu apoio direto à reeleição de Azeredo - O Eduardo também não é candidato-, mas tratou de elogiar o governador nos três discursos que fez na cidade.
FHC é o primeiro presidente que visita Uberlândia nos últimos 14 anos, apesar de a cidade ser considerada a segunda em importância no Estado. Apesar de negar que já esteja em campanha, FHC chegou a descer do ônibus, quando o comboio começava a se deslocar, só para posar para fotos ao lado de um grupo de garotas. Aproveitou e posou também ao lado de vários políticos locais que usarão sua imagem na campanha eleitoral do ano que vem.
O vice-presidente Marco Maciel disse ontem, em Madri, que se apresentará junto a Fernando henrique Cardoso a reeleição em outubro de 1998. Também anunciou que FHC prevê viajar a Espanha antes das eleições, em abril do ano que vem.
Iremos juntos à reeleição com o presidente Fernando Henrique, novamente unidos na mesma chapa de 1994, afirmou antes de confirmar que entregou uma carta de FHC ao rei Juan Carlos I e ao presidente do governo espanhol José María Aznar expressando seu desejo de viajar a Madri em abril de 1998.
Com o presidente Cardoso temos um programa comum que estamos executando e queremos que tenha continuidade. A sociedade brasileira em diferentes pesquisas tem reagido muito favoravelmente às gestões do governo no campo da democracia e na política sócio-econômica. Estamos trabalhando juntos por uma nação verdadeiramente desenvolvida e justa, tanto na democracia como na paz social, explicou Maciel.
Na eleição de 98, lutaremos baseados no mesmo programa, na mesma fórmula de há três anos, agindo conjuntamente com os partidos que apoiaram a coalizão vencedora de 94, assegurou.
O ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro (PT) disse ontem que Luiz Inácio Lula da Silva não está se empenhando em construir uma frente de esquerda para concorrer na eleição presidencial do próximo ano. Segundo Tarso, o líder nacional petista tem assumido uma postura olímpica, de reserva, em relação ao assunto. A direção petista, ao contrário, na opinião do ex-prefeito, está se esforçando para que se forme uma coligação de esquerda.
Tarso, que é cotado para ser o candidato do PT à Presidência, se Lula decidir não concorrer pela terceira vez, disse que o líder histórico do partido deveria sair ofensivamente defendendo um programa alternativo de governo. O ex-prefeito declarou que uma definição de Lula sobre a candidatura tem de acontecer sem demora. Quanto mais demora, mais risco corremos de sofrer uma dispersão de nossa base social.
Ele disse que Lula, que deve ir de novo à Europa na próxima semana, precisa se definir quando retornar ao país. Quero que ele volte e diga sou candidato, para terminar com essa novela.


