PARIS - Para o Brasil, a França é um ponto de referência necessário na Europa e no mundo, um parceiro de primeira ordem tanto do ponto de vista comercial e financeiro como da cooperação cultural, científica e teconológica. É o que diz o presidente Fernando Henrique Cardoso no artigo ‘‘A França e o novo Brasil’’, publicado em quatro colunas na primeira página da edição de ontem do jornal ‘‘Le Monde’’. O presidente Jacques Chirac chega ao Brasil na terça-feira.
Fernando Henrique refere-se à França como um país cuja ‘‘cultura e pensamento tiveram e continuam a ter um papel central’’ na sua formação intelectual. Por isso, tem se empenhado em tornar mais estreitas as relações entre os dois países. A visita de Jacques Chirac, segundo Fernando Henrique, deverá representar uma impulsão na busca desse objetivo.
O presidente diz que Chirac vai visitar um novo Brasil: ‘‘Melhor, solidamente democrático, politicamente estável e cuja economia também estabilizada conhece um crescimento sustentado, graças às reformas e à sua abertura’’. Ele escreve que ‘‘não é por acaso que 380 das 500 maiores grandes empresas mundiais, muitas francesas, já estão presentes no Brasil’’.
Fernando Henrique afirma em seu artigo que na origem dessa mudança encontra-se o Plano Real, lançado quando era ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, e consolidado nos últimos dois anos. ‘‘O Brasil conhece importantes sucessos, mesmo estando apenas no começo da luta contra as desigualdades e a má distribuição de renda, flagelos herdados de séculos de exclusão’’.
Sobre a aproximação Brasil-França, disse que os dois países ‘‘terão sua imagem reforçada e sua autoridade aumentada no plano internacional graças à ampliação de sua parceria assentada em bases sólidas, mas também numa ampla comunhão de valores e de vontade política de seus dirigentes atuais’’.
O presidente Fernando Henrique Cardoso viaja hoje para Joinville (SC), onde participa da inauguração de um módulo do Museu do Bombeiro Voluntário da Cidade e da nova sede da empresa de software Data Sul. A agenda, nada convencional para um presidente da República, tem uma explicação: a visita é de retribuição ao apoio do ex-deputado Luiz Henrique (PMDB), eleito prefeito da cidade.

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