France PresseEm altaFHC e o assessor do presidente americano Bill Clinton, Thomas McLarty, no Chile: feliz com o IbopeO presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem, ao desembarcar em Santiago, no Chile, para uma visita oficial de três dias, que está ‘‘entristecido, mas não irritado’’ com a possível candidatura do ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PPS) à Presidência da República. ‘‘A essa altura da vida, não tenho medo de bicho-papão’’, afirmou.
O presidente lamentou a saída do ex-ministro do PSDB, mas disse não temer a candidatura de Ciro Gomes. Na semana passada, Ciro Gomes, que havia se tornado o principal crítico do governo dentro do PSDB, transferiu-se para o PPS. Sem querer colocar-se como candidato à reeleição, Fernando Henrique disse achar ‘‘muito bom que haja competidores’’. O povo, destacou ele, saberá escolher quem é o melhor candidato.
Fernando Henrique comentou também a última pesquisa do Ibope que aponta o crescimento de sua popularidade. Ele considerou que o importante não é se deter em um ponto específico de pesquisa desse tipo, mas analisar as tendências. ‘‘E as tendências no Brasil nunca mudaram, desde que assumi o governo’’, acrescentou. ‘‘Há um apoio muito amplo da população’’, comemorou, referindo-se indiretamente ao seu potencial eleitoral.
De acordo com o Ibope, aumentou de 38% para 45% o índice de aprovação ao governo Fernando Henrique, enquanto caiu de 24% para 16% o índice de desaprovação. O resultado preocupante para o Palácio do Planalto foi a avaliação do Plano Real: o índice de apoio caiu de 79% para 76%.
Fernando Henrique informou também que, antes de deixar o País, conversou com o vice-presidente Marco Maciel sobre a possibilidade de vetar um dispositivo da lei eleitoral, recentemente aprovada pelo Congresso, que regulamenta a divulgação de pesquisas eleitorais na fase final da campanha.
Se ocorrer, o veto às regras para divulgação de sondagens de opinião, mencionado por Fernando Henrique, deverá surpreender os líderes partidários, inclusive os governistas, no Congresso. Esse tema não chegou a ser declarado ponto importante para o governo durante as negociações da lei eleitoral no Legislativo. O Congresso tem poder para derrubar vetos do Executivo.
Segundo o presidente, está sendo examinada a constitucionalidade do dispositivo que trata das pesquisas. Mas avisou que não pretende vetar muitos artigos da legislação. ‘‘Eu vou aprovar o que o Congresso fez’’, disse. Segundo ele, ‘‘é melhor que o presidente não interfira na definição da lei eleitoral’’.
O Palácio do Planalto confirmou que Maciel, no exercício da Presidência, deverá sancionar com vetos a lei eleitoral. Entre os artigos que seriam alvo de veto estaria também o que impede a contagem dos votos em branco para efeito de definição do coeficiente eleitoral. A regra, aprovada pela Câmara, permite aos pequenos partidos maior chance de alcançar o coeficiente para eleger seus deputados.

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