São Paulo - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem à tarde, em Brasília, que quis conversar com os principais presidenciáveis ‘‘para mostrar que este governo está preocupado com o bem do País e não apenas com os próprios interesses’’. O presidente afirmou que a conversa foi uma ‘‘prova de maturidade política’’ e teve ‘‘clareza e transparência’’.
  ‘‘Ninguém tem cartas escondidas na manga’’, disse o presidente, que falou acompanhado dos ministros Pedro Malan (Fazenda) e Pedro Parente (Casa Civil) e do presidente do Banco Central, Armínio Fraga.
  Segundo FHC, a conversa não teve o objetivo de calar as críticas dos oposicionistas. ‘‘Os que estão em posição de crítica ao governo não devem abandoná-la só porque falaram com o presidente da República.’’
  ‘‘Estamos pavimentando o caminho para o próximo mandato’’, enfatizou o presidente, que afirmou esperar uma transição ‘‘tranqüila’’ e admitiu que os candidatos têm liberdade para fazer mudanças na condução do País. ‘‘Eu mesmo, se tivesse um novo mandato - o que não é o caso -, mudaria alguma coisa’’, disse.
  FHC reafirmou que a única condição exigida pelo FMI foi a manutenção do superávit primário de 3,75% até 2005, lembrando que, para o ano que vem, esse número está previsto no Orçamento, já aprovado pelo Congresso, e que essas metas podem ser revistas a cada quatro meses.
  ‘‘O acordo pôs a economia brasileira numa situação de controle. Temos a absoluta confiança de que estaremos honrando nossos compromissos’’, disse o presidente, afirmando que o Brasil pode até mesmo não precisar usar os US$ 30 bilhões prometidos pelo FMI até o fim do ano que vem. ‘‘Foi uma prova de confiança da comunidade internacional’’, avaliou.
  FHC disse que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PPS) reafirmaram, no encontro, seus compromissos com a manutenção da estabilidade econômica e dos pagamentos internacionais. José Serra (PSDB) foi ‘‘explícito’’, como já fora antes ao apoiar o acordo, e Anthony Garotinho (PSB) saiu sem fazer qualquer observação.

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