Arquivo FolhaPara quê?Chanceler Felipe Lampreia: ‘‘Se o Brasil solicitasse, o Banco Mundial estaria pronto a ajudar’’O presidente Fernando Henrique Cardoso dispensou ajuda financeira do Banco Mundial para enfrentar um eventual ataque especulativo ao real e sustentar o plano de estabilização econômica. A oferta foi feita a FHC pelo diretor-geral de operações do banco, Caio Koch Weser, e seguiria o modelo de ajusta prestada ao México e países asiáticos que enfrentaram desvalorizações cambiais.
A reunião com Weser não estava prevista na agenda do presidente e ocorreu pouco antes do embarque antecipado a Brasília, na tarde de sábado. Segundo relato do chanceler Luiz Felipe Lampreia, Weser disse que o Banco Mundial acompanhava com atenção evolução do quadro brasileiro e estava disposto a socorrer o país. ‘‘Se o Brasil solicitasse, o banco estaria pronto a ajudar’’, contou o ministro.
A instabilidade da economia brasileira foi tema recorrente nas reuniões formais e mesmo nas conversas informais que FHC manteve paralelamente à 7ª Cúpula Ibero-americana. O encontro reuniu chefes de Estado e de governo de 23 países da América Latina e da península ibérica (Portugal e Espanha) e não tratou oficialmente da especulação financeira internacional. A todos os interlocutores, o presidente transmitiu tranquilidade. A alguns deles, disse que anunciaria medidas importantes para conter os gastos públicos assim que voltasse ao país. Mas não entrou em detalhes das medidas.
‘‘O presidente está confiante em que temos instrumentos para defender a moeda e o plano de estabilização’’, disse Lampreia. ‘‘Há uma expectativa. Todo mundo está acompanhando e sabe que a América Latina está visada’’, completou.
O presidente Carlos Menem (Argentina) - que chegaria ontem à noite para uma visita oficial ao Brasil - não se encontrou reservadamente com FHC na Venezuela, mas já está informado sobre as medidas de ajuste fiscal em estudo no Brasil, disse o chanceler. A crise no mercado financeiro deverá ser objeto da declaração conjunta que FHC e Menem vão divulgar hoje em Brasília. O texto, negociado por diplomatas dos dois países, diz que o fortalecimento Mercosul (bloco econômico integrado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) dá mais chances aos países para enfrentar eventuais ataques especulativos.
Curioso sobre o impacto da crise no continente, o presidente do governo espanhol, José Maria Aznar, disse acreditar que, no outro lado do Atlântico, a Comunidade Econômica Européia havia ‘‘atravessado bem a tempestade’’, depois de também enfrentar quedas nas Bolsas.

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