Governadores vão a Brasília na sexta-feira, convocados pelo presidente, para ver se encontram saída para crise no caixa do sistema
Arquivo FolhaADESÃOFernando Henrique: em busca de apoio dos governadores para aprovação de emendas constitucionais no Congresso, que pretendem equacionar geração de recursos para o Tesouro Nacional




Tânia Monteiro - Agência Estado/De Brasília
Leandro Donatti - De Curitiba

Depois de passar o fim de semana prolongado descansando em seu sítio em Ibiúna, no interior de São Paulo, o presidente Fernando Henrique Cardoso regressa hoje a Brasília para uma semana curta, mas não menos problemática ou movimentada. Sua principal batalha será a reunião na sexta-feira com os governadores para decidir como solucionar os problemas de caixa da Previdência, criados com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) ao suspender a cobrança dos inativos e a elevação da alíquotas dos servidores ativos.
O presidente quer obter a adesão dos governadores para conseguir a aprovação de emendas constitucionais no Congresso, ampliando recursos para o Tesouro, sob a alegação de que eles também enfrentarão problemas semelhantes em seus Estados. Mas o primeiro entrave já está surgindo porque dos 27 governadores convidados pelo Planalto, apenas 13 confirmaram suas presenças.
Até a sexta-feira, Fernando Henrique espera ampliar a lista de adesão, embora saiba que o encontro poderá ser usado também para receber sérias cobranças das promessas feitas pelo governo federal e não cumpridas na forma como desejavam. Como exemplo, sempre citam a renegociação das dívidas dos Estados e a compensação da Lei Kandir.
Mais uma vez, FHC pretende começar a semana apresentando resultados para mostrar que não está apenas administrando crises, mas está trabalhando e combatendo o que considera o problema mais grave do País atualmente: o desemprego. Ele lança um novo programa de incentivo à construção civil, com objetivo de criar 120 mil novos empregos, no Planalto, com a presença dos principais empreendedores do setor.
Pela manhã, no Palácio da Alvorada, FHC receberá a carta de princípios de proteção à vida, do grupo de crianças participantes do projeto ‘‘Produtores da Vida’’, do Ministério do Meio Ambiente.
O governo do Paraná vai apoiar as propostas de emendas constitucionais formuladas pela equipe econômica de FHC para compensar as perdas previdenciárias. A decisão foi tomada na última segunda-feira, durante reunião entre o governador Jaime Lerner (PFL) e os secretários Renato Follador Junior (Previdência), Giovani Gionédis (Fazenda), Miguel Salomão (Planejamento e presidência da ParanáPrevidência) e Reinhold Stephanes (Banestado e presidência do Conselho Administrativo da ParanáPrevidência).
Lerner já confirmou presença na reunião de sexta em Brasília. O governador vai manifestar apoio político ao presidente, mas em troca vai pedir medidas mais concretas que viabilizem a capitalização dos fundos de previdência. Desde fevereiro deste ano, Lerner defende a injeção de recursos federais na previdência dos Estados.
Segundo ele, não tem como se fazer o ajuste fiscal – tão apregoado pelo governo federal – sem conter o déficit previdenciário, agravado ainda mais com a decisão do Supremo. O governador do Paraná leva novas sugestões ao presidente sobre o assunto. Os secretários as mantêm em segredo. Hoje, Lerner se reúne novamente com Follador, Salomão e Stephanes para aprofundar a posição do Paraná.

mockup