FHC discute mobilização do Congresso
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quinta-feira, 17 de setembro de 1998
Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso vai se encontrar hoje com os presidentes do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para discutir a mobilização do Congresso em torno da votação das reformas constitucionais, como a tributária e previdenciária. Integrantes do governo consideram difícil votar qualquer ponto da reforma tributária ainda este ano, por falta de consenso em relação à proposta. Mas apostam na retomada da votação da reforma da Previdência Social. Sem ter a maioria dos votos, o projeto proposto pelo governo acabou sofrendo várias alterações durante a apreciação da Câmara e o governo precisa, agora, mandá-lo de volta para o Senado para recuperar o texto original.
A mobilização extraordinária do Congresso defendida por Antonio Carlos e Temer esbarra numa dificuldade inicial: ela seria realizada possivelmente na segunda semana de outubro, logo depois das eleições. Os parlamentares voltarão para o Congresso já sabendo o resultados da votação e muitos não deverão conseguir a renovação de seus mandatos. Derrotados, deixam de ter compromisso com o governo na hora da votação, provocando incerteza entre os aliados. Além disso, antes mesmo das eleições muitos já reclamam da falta de apoio do governo em suas campanhas.
Para aprovar qualquer ponto de uma reforma constitucional o governo tem de reunir três quintos dos votos, tanto na Câmara como no Senado. Vai haver muito incêndio para apagar, mas acredito na habilidade do Antonio Carlos (Magalhães), disse o senador Élcio Álvares (PFL-ES), líder do governo no Senado.
Álvares é um dos políticos pefelistas magoados com os ministros do PSDB, reclamando que eles têm dado apoio explícito aos candidatos tucanos. Álvares cita diretamente os ministros da Saúde, José Serra, da Educação, Paulo Renato Souza, e das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros.
O senador Álvares adianta que votará as reformas por convicção e confia na liderança de Antonio Carlos para que sejam acomodadas as muitas sequelas da campanha. O resultado das urnas não vai mudar minhas convicções, disse. Mas, no Senado, embora tenhamos quórum qualificado, existem insatisfações com a campanha, disse, comentando o sentimento de outros senadores fustigados pelos tucanos.
Os aliados do presidente preferem postergar o balanço da campanha. Um quadro real, só será possível após as eleições, afirmou o presidente da Câmara. Para Michel Temer, qualquer avaliação neste momento, quando as urnas ainda não se manifestaram, seria prematura. Vamos esperar o 4 de outubro. Depois disso, os ânimos vão assentar-se, comentou.
O presidente FHC lançou, no horário eleitoral da TV de ontem à tarde, uma campanha de apoio às reformas que o Brasil precisa para fortalecer o programa de estabilidade econômica. A crença antecipada na vitória de FHC, ainda no primeiro turno, é a mensagem sutil sugerida pela iniciativa. O reforço à corrente de apoio às reformas veio do entrevistado no talk-show do programa, o ministro da Previdência, Waldeck Ornélas. Ele defendeu a conclusão da votação da emenda constitucional de reforma da previdência ainda este ano.


