O presidente Fernando Henrique Cardoso deve vetar o aumento dos recursos do fundo partidário, de R$ 42 milhões para R$ 420 milhões, aprovado anteontem pela Câmara. Segundo os líderes aliados, se o Senado mantiver a alteração determinada pelos deputados, FHC vetará a proposta. Ontem, o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse ser contrário ao financiamento público para as campanhas eleitorais. ‘‘Sou contra o financiamento público, acho que o governo tinha e tem maiores obrigações de fazer a informatização do pleito eleitoral para que ele represente a vontade do povo, até porque o financiamento público vai ocorrer em conjunto com o financiamento privado’’, alegou.
Para o senador, ‘‘o dinheiro público deve ser empregado em escolas e hospitais e na segurança pública, no interesse do cidadão, e não colocado à disposição de partidos políticos’’. Antônio Carlos Magalhães antecipou que, ‘‘se tiver votos’’ para isso, vai ‘‘derrubar’’ a proposta quando for submetida à apreciação do Senado. Mas fez a ressalva de que cumprirá a vontade que vier a ser expressa pela maioria dos senadores.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a proposta para aumentar em dez vezes os recursos do Fundo Partidário em 98 beneficiaria os oito maiores partidos, dos quais apenas dois são de oposição (PT e PDT). Se os recursos do Fundo forem ampliados para R$ 420 milhões, os oito partidos maiores ficariam com 97% da verba. Somente o PMDB, partido do relator da lei eleitoral, Carlos Apolinário (SP), seria beneficiado com R$ 95 milhões. O PPB seria o segundo beneficiado: R$ 75 milhões. Ao PFL caberiam R$ 64 milhões e ao PSDB R$ 62 milhões. Os dois partidos de oposição ficariam com R$ 55 milhões (PT) e R$ 32 milhões (PDT).
O Fundo Partidário é formado pelo total arrecadado pela Justiça Eleitoral com a aplicação de multas, dotações orçamentárias, recursos destinados por leis e doações de pessoas físicas e empresas a cada legenda.

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