O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), afirmou ontem que o presidente Fernando Henrique ‘‘deve pedir o boné e ir embora’’, caso considere que as denúncias da oposição põem em risco a democracia no País. Em entrevista anteontem, ao jornal ‘‘O Globo’’, FHC alertou que a democracia corria perigo com o clima fascista e de golpe fomentado pelos oposicionistas.
‘‘Aquilo (a entrevista) é de um farisaísmo terrível e, se ele não se julga capaz de manter a democracia, pelo amor de Deus, pede o boné e vai embora’’, afirmou o governador. Itamar criticou também o comportamento de Fernando Henrique com o senador Antonio Carlos Magalhães. Itamar lembrou que, antes do episódio da violação do painel do Senado, ACM era ‘‘bajulado, cortejado, frequentava palácios e considerado um Deus, até pelo presidente da República.’’ E disse: ‘‘Por isso, enviei um telegrama para o senador. Porque achei que era uma covardia daqueles que bajulavam ACM, que passou a ser vítima da ingratidão até do homem que dirige a Nação’’, argumentou Itamar.
Itamar passou o dia ontem em Brasília, fazendo contatos para o lançamento da candidatura pelo PMDB a presidente. Segundo o presidente nacional do PMDB, senador Maguito Vilela (GO), o partido terá candidato próprio nas eleições de 2002. Na avaliação de Vilela, a legenda poderá lançar uma ‘‘chapa pura’’ em 2002, com Itamar e o senador Pedro Simon (PMDB-RS) juntos.
‘‘Os dois vão levar suas candidaturas até o final e um pode ser candidato à Presidência (o que tiver mais densidade eleitoral), e o outro, candidato a vice’’, disse Vilela. O senador goianose reuniu ontem à tarde com Itamar e Simon para discutir a candidatura própria da sigla.
No início da tarde, o governador de Minas se reuniu com a cúpula do PL, que reafirmou o apoio à candidatura dele a presidente. ‘‘A vocação natural do PL é apoiar o Itamar’’, afirmou o líder da agremiação na Câmara, Waldemar Costa Neto (SP).
Em discurso feito ontem pela manhã, ao término da 18 ª Convenção Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência, Itamar acusou FHC de controlar a mídia e interferir no Congresso. ‘‘Nem no regime militar assistimos a isso’’, disse o governador, ao criticar a pressão do Palácio do Planalto para evitar a criação de uma CPI destinada a investigar corrupção no governo.
Itamar lembrou que, quando era senador, na época do governo do ex-presidente Ernesto Geisel, na ditadura militar, presidiu uma CPI destinada a apurar a compra de reatores nucleares pelo governo brasileiro. ‘‘O Geisel não impediu a instalação dessa comissão’’, observou.

mockup