FHC desregulamenta publicidade
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quinta-feira, 26 de junho de 1997
Agência Folha Brasília 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
MídiaFHC e o presidente da Abrap, Flávio Correa: propaganda não pode iludir o cidadãoO presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem a um grupo de publicitários e empresários de comunicação ter consciência de que não pode se relacionar com a cidadania em termos de manipulação, em termos de imaginar que deficiências da realidade possam ser tapadas pela comunicação. O governo não pode ter ilusão de que, comprando, ganha. Porque não ganha. Não pode ter ilusão de que, ao fazer uma boa propaganda, só porque ela é boa, ele vai levar vantagem no conjunto da população, disse FHC.
Fernando Henrique aproveitou para dizer que a informação é essencial numa sociedade moderna, de massas. Segundo ele, a comunicação é um dos pilares da democracia, desde que seja entendida da maneira adequada e não como um instrumento de manipulação. Durante o encontro, no Palácio do Planalto, o presidente assinou decreto que altera legislação de 1966, desregulamentando o setor publicitário. A partir do dia 1º, as próprias agências terão de seguir as normas-padrão estabelecidas pelo setor, que passa a ser auto-regulamentado. Pelas novas regras apresentadas pela Abap (Associação Brasileira das Agências de Propaganda) e Fenapro (Federação Nacional das Agências de Propaganda) a FHC , as agências mudarão os critérios de repasse de comissões aos anunciantes. Quando um anunciante contrata uma agência para fazer um anúncio, ele paga - embutidas no preço total - as comissões de produção e de veiculação. A comissão de 15% de produção, que fica com a agência, permanece a mesma após o novo decreto. Já a comissão de 20%, que é repassada pelo veículo divulgador (jornal, TV, rádio ou revista) à agência de propaganda - e que na prática, por pressão da iniciativa privada, até 9% desse percentual era repassado para o anunciante -, pode chegar a até 5%, dependendo do investimento que o cliente faça em publicidade por ano.
O governo e pequenos anunciantes recebiam zero, pois sem ter instrumentos de negociação eram os mais atingidos pelas regras em vigor havia 32 anos. O decreto de 1966 afirmava ser proibido o repasse aos anunciantes de qualquer percentual dos 20% pagos pelos veículos às agências. A mudança trará economia aos cofres públicos, embora não se saiba ainda quanto. Com certeza resultará em redução de custos da publicidade para o governo, afirmou Flávio Corrêa, presidente da Abap. O setor público deve gastar cerca de R$ 500 milhões em publicidade este ano. Desse total, aproximadamente R$ 300 milhões vêm do governo federal, sendo R$ 120 milhões da administração direta e R$ 180 milhões das estatais.


